
A mensagem de Leão XIV enviada à Assembleia Presbiteral da arquidiocese de Madri convida o clero ao discernimento, à comunhão fraterna e a um ministério centrado em Cristo diante dos desafios culturais do tempo presente.
“Queridos filhos, alegra-me poder dirigir-lhes esta carta por ocasião de sua Assembleia Presbiteral e fazê-lo a partir de um sincero desejo de fraternidade e unidade”. Com estas palavras de tom paterno, o Papa Leão XIV se dirigiu, nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, por meio de uma mensagem, aos sacerdotes da arquidiocese de Madri, reunidos no CONVIVIUM, a assembleia presbiteral convocada pelo arcebispo da capital espanhola, o cardeal José Cobo.
O encontro reúne representantes da diversidade do clero madrilenho — cerca de 1.585 presbíteros com encargos pastorais, entre os aproximadamente 2.600 sacerdotes que vivem no território arquidiocesano — e se apresenta como uma oportunidade de comunhão e discernimento sobre “que tipo de sacerdote Madri precisa hoje”.
No texto, o Papa expressa gratidão pela dedicação cotidiana dos presbíteros e reconhece as dificuldades do ministério. “Sei que muitas vezes este ministério se desenvolve em meio ao cansaço, a situações complexas e a uma entrega silenciosa da qual só Deus é testemunha”, escreve, desejando que suas palavras cheguem como “um gesto de proximidade e de ânimo”.
Discernir o tempo presente
O Pontífice convida os sacerdotes a uma leitura profunda da realidade atual, marcada por processos de secularização e polarização cultural. “A fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao âmbito do irrelevante”, adverte, recordando também a perda de referências comuns que durante séculos favoreceram a transmissão da mensagem cristã. Apesar disso, Leão XIV identifica sinais de esperança, sobretudo entre os jovens. “No coração de muitas pessoas abre-se hoje uma nova inquietação”, observa, afirmando que a absolutização do bem-estar, uma liberdade desvinculada da verdade e o progresso material não conseguiram responder ao desejo profundo do ser humano.
Nesse contexto, o Papa sublinha que o tempo atual não é de fechamento nem de desalento. “Para o sacerdote, não é tempo de retraimento nem de resignação, mas de presença fiel e de disponibilidade generosa”, escreve, lembrando que “a iniciativa é sempre do Senhor, que já está agindo e nos precede com a sua graça”.

Sacerdotes configurados com Cristo
Indicando o perfil de sacerdote de que a Igreja necessita hoje, o Papa afirma que não se trata de multiplicar tarefas ou buscar resultados imediatos. “Não homens definidos pela pressão dos resultados, mas homens configurados com Cristo”, capazes de sustentar o ministério a partir de uma relação viva com Ele, nutrida pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pelo dom de si:
"Não se trata de inventar novos modelos nem de redefinir a identidade que recebemos, mas de voltar a propor, com renovada intensidade, o sacerdócio em seu núcleo mais autêntico — ser alter Christus —, deixando que seja Ele quem configure a nossa vida, unifique o nosso coração e dê forma a um ministério vivido a partir da intimidade com Deus, da entrega fiel à Igreja e do serviço concreto às pessoas que nos foram confiadas."
Uma Igreja que é casa
Servindo-se da imagem da catedral, o Papa recorda que a Igreja é chamada a ser casa para seus sacerdotes e espaço de comunhão. Leão XIV também sublinha que "o sacerdote não vive para se exibir, mas tampouco para se esconder. Sua vida é chamada a ser visível, coerente e reconhecível, ainda que nem sempre seja compreendida". Toda a vida do padre é chamada a remeter a Deus e a acompanhar o passo em direção ao Mistério, sem usurpar o seu lugar:
“Filhos meus, ninguém deveria sentir-se exposto ou sozinho no exercício do ministério: resisti juntos ao individualismo que empobrece o coração e enfraquece a missão!”
Ao final da mensagem, Leão XIV retoma as palavras de São João de Ávila como síntese do caminho sacerdotal: “Sejam totalmente d’Ele”. E conclui com um apelo direto: “Sejam santos!”, confiando os sacerdotes à intercessão de Santa Maria da Almudena e concedendo a Bênção Apostólica a todos os que lhes foram confiados pastoralmente.
(vaticannews)