- Eu peguei mais de 20 malárias aqui dentro. E hoje, acordei com uma cobra no quintal, relatou Larissa Freitas de Lima, 34 anos e mãe de um bebê que está com a avó na Linha 45.
O depoimento foi feito a Luana Rocha, titular da Secretaria de Assistência Social e ao coronel Gilvander Gregório de Lima, comandante do Corpo de Bombeiros, do governo de Rondônia, em Candeias do Jamari onde ouviram mais 13 relatos de vítimas das enchentes dos Rio Preto e Candeias.
A membros da Comissão Estadual de Defesa Civil e da Cruz Vermelha do Brasil faziam parte da comitiva do governo do estado e já decidiram pedir a intervenção da Secretaria de Estado da Saúde(Sesau) e da Agência Estadual de Vigilância em Saúde(Angevisa) para realizar controle sanitário e fazer coleta de lâminas para tratamento da malária na região.

Mais de 130 pessoas de 53 famílias estão desabrigadas pelas águas dos Rio Preto e Candeias. São muitos os prejuízos sofridos pelos ribeirinhos. Um produtor da Linha 45, por exemplo, perdeu 16 mil litros de leite de vaca.
Maria do Rosário da Silva Lima é uma das desabrigadas que ainda teve de acompanhar o marido, Raimundo Nonato Rodrigues da Silva, 54, ao Hospital João Paulo II, em Porto Velho, para cuidar da hérnia de disco.
As providências
Diante do que viu e ouviu, a equipe, conduzida pela primeira dama Luana Rocha, prometeu enviar amanhã, 14, um carregamento de comida, 1,5 galões de água mineral, e a instalação de mais banheiros químicos para atender os desabrigados de Candeias.
- Quem estiver aqui come com a gente! Exclamou Maria do Rosário já ansiosa pela chegada da cesta básica. Ela e os outros estão abrigados em 21 barracas de lona no Bairro Satélite há quase 15 dias, após deixarem suas casas para trás.
Procedente do Estado do Amazonas, há 20 anos convivendo com as cheias do rio, Rita Cleide Neta da Silva, 52, reuniu a família toda para receber os visitantes. O marido é trabalhador braçal. Mora com ela e também ocupa uma das barracas, sua irmã Rita Neta, 56, dependente de remédios controlados para doença mental.
Rita criou cinco filhos, todos se casaram, e com ela estava apenas um deles, Cleiton da Silva Lopes, 21, operador de motosserra. No momento está desempregado e preocupado com o filho Vitor Gabriel, 6, que não havia ido à escola. Ele é aluno do 1º ano do Ensino Fundamental.
Dona Rita, e alguns vizinhos de barraca, trouxeram as geladeiras na mudança. Segundo eles, “se deixar na casa alagada, ladrões furtam”.

O Rio Candeias, que recebe as águas do Negro, desemboca em dois canais no Rio Madeira [maior afluente da margem direita do Rio Amazonas]. A cada três dias, a Defesa Civil e assistentes sociais do município percorrem os ramais.
Fonte: Noticiastudoaqui.com
Com informações da Secom