Duas histórias e muita paciência do povo do Vale do Jamari



‘Esqueceram’ de colocar os aterros das cabeceiras da ponte no projeto, acredita?

A segunda ponte sobre o Rio Jamari, na BR-421 em Ariquemes, que dá acesso a quatro municípios, está parada porque os projetistas da obra esqueceram de incluir os trabalhos de aterramento das cabeceiras. E só após toda a extensão construída, descobriu-se o lapso técnico.

No meio do ano de 2017, 50% da obra orçada já estava concluída e caminhando celeremente para ser inaugurada no final de 2018. Agora se fala que, talvez, somente no fim desse ano esse evento ocorra.

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Haja paciência do povo de Campo Novo, Buritis, Montenegro, Alto Paraíso e até de Nova Mamoré, no Vale do Jamari para passar sobre a nova de R$ 5 milhões e 200 mil, incialmente, com 120 metros de comprimento, 11,2 metros de largura, pista de mão dupla e passarela de pedestres.

O começo

Num programa de rádio em 2011, entrevistando o governador Confúcio Moura sobre seu plano de governo, o repórter Osmar Silva provocou-o perguntando:

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- E a nova ponte sobre o Rio Jamari na 421, governador, o senhor vai fazer?

Confúcio pensou, olhou para um lado e outro, virou-se para o repórter e respondeu resoluto:

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- Vou. Vou fazer sim. Tá prometido e garantido. Vou fazer. Afinal, a ponte do Sales já está velha demais. Vou fazer.

A obra só saiu na segunda metade do segundo mandato de Confúcio, hoje senador da República. Mas não conseguiu concluir nem entregar. ‘Esqueceram’ as cabeceiras da ponte.

que abriam estradas nos projetos de assentamento no município. Quem sai de Ariquemes ou vem de qualquer ponto da BR-364 para Campo Novo, Buritis, Montenegro, Alto Paraíso e até Nova Mamoré, usando a Estrada Parque no Vale do Jamari, tem que atravessar a velha ponte de uma só pista e sem passarela de pedestre, construída a quase 40 anos.

Só que, naquele tempo, começo da colonização de Rondônia, toda população que havia do outro lado do rio era menos que a população de Campo Novo hoje, o menor município daquela Região do Vale do Jamari.

O começo do começo

Certo dia de 1982 o governador do Território Federal de Rondônia, Jorge Teixeira, fazia mais uma das costumeiras visitas ao prefeito Francisco Sales para acompanhar as obras de mutirão que abria estradas nos projetos de colonização, onde o Instituto Nacional de Reforma Agrária-INCRA, assentava diariamente, milhares de colonos vindos de todos os cantos do país.

O chefe de gabinete entrou na sala do prefeito interrompendo a reunião e anunciou:

- A balsa está atravessada no Jamari. E tem um caminhão carregado dependurado. Tem muita gente de um lado e do outro. Tá a maior confusão.

O prefeito e o governador se olharam e Sales o convidou para ver a situação.

- Governador é a ponte que vivo falando pro senhor. Temos que fazer. A balsa não dá conta mais.

Quando chegaram na barranca do Rio Jamari o povo gritava. Teixeirão levantou os braços sinalizando que ia falar. O povo silenciou.

- Vocês acabaram de ganhar a ponte. Vou fazer a ponte pra vocês. Só preciso de tempo pra arrumar o dinheiro. Mas vocês vão ter a ponte.

O preço da ponte   

Mas a ponte só veio bem mais tarde. Durante a campanha eleitoral da primeira eleição indireta – só votava deputados federais, senadores e delegados dos partidos MDB e Arena – para eleger o primeiro civil como presidente da República. Paulo Maluf representando a situação e Tancredo Neves representando a oposição.

Francisco Sales era, agora, deputado federal em segundo mandato, e muito procurado pelo povo sobre a ponte. Resolveu cobrar a promessa feita pelo governador Teixeira, ainda no poder de Rondônia, oferecendo o recurso através de emenda parlamentar.

Teixeirão condicionou:

- Só se tu votar no meu candidato a presidente, o Doutor Paulo Maluf.

Sales paralisou. Era eleitor de Tancredo. Remoeu pra lá, remoeu pra cá, lembrou do sofrimento do povo, de uma noite em que ele mesmo se jogou no rio, atravessou a nado, só para acordar o balseiro que dormia do outro lado e não escutava os chamados, aos gritos, do povo na margem de cá. Eram seus eleitores, seus amigos. Decidiu:

- Tá feito governador. Fechado!

O povo ganhou a ponte. Sales perdeu o mandato. Ele sabia do risco. Seus adversários não perderam a oportunidade de pregar na testa dele, o epíteto de ‘Malufista”. Uma verdadeira condenação na época. Perdeu o mandato para atender o mesmo eleitor que votou contra ele. Foi injustiçado por ser correto. Honestidade tem preço.

E agora? 

Em janeiro desse ano concluíram os 25% de execução restantes da estrutura da ponte. Isto, após superarem enchentes do rio e a queda de vigas de sustentação, três, ano passado. Incidentes que, com bom planejamento, poderia ser evitado. Mas ‘esqueceram’ até o aterramento, asfaltamento e obras de arte das cabeceiras!

Contudo, o Departamento de Estradas e Rodagem, DER, diz que o projeto para a execução das obras restantes, está em andamento e que até o fim do ano, desse ano, a ‘ponte do Confúcio’ será entregue à população.

Mas o DER não informa o valor adicional, se vai licitar ou não, e se já tem o dinheiro em caixa. Embora a transparência exija respostas claras a essas questões.

A paciência é finita. Será?

Enquanto isso, os quase 100 mil habitantes dos municípios do outro lado da ponte, exercitam uma paciência que parece não ter fim. Mas se exasperam quando chegam à velha ‘ponte do Sales’ e têm que esperar acabar a fila de veículos que vem do lado de lá. E os ciclistas e pedestres, precisam ser mais pacientes ainda. Têm que esperar acabar as filas dos dois lados para, só então, passarem.

Fonte: noticiastudoaqui.com

    

 



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