O desafio de fazer o Pré-Natal no maior município do Brasil



O prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, a 3ª maior cidade da Região Norte, enfrenta problemas históricos que se acumularam ao longo de um século. Na saúde, por exemplo, a falta de saneamento básico inclusive nos Distritos do Município atinge, diretamente, a saúde da população, principalmente, dos mais pobres.

Mesmo com essa adversidade, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), sob a direção da enfermeira Eliana Pasini, vem avançando no atendimento às demandas dos 519 mil habitantes da Capital de Rondônia.

Numa roda de conversa com a reportagem do noticiastudoaqui.com a secretária Eliana Pasini, a médica Marilene Penati e a enfermeira Elineide Froes, destacaram e discorreram sobre um programa da maior importância que vem obtendo bons resultados na saúde pública: o Programa Pré-Natal.

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O maior município do Brasil tem 255 mil mulheres para ser atendidas. Cerca de 75 mil são da área rural, espalhadas num território com mais de 7 mil kms de estradas vicinais, que vai de Calama a Nova Califórnia e 945 km de via fluvial do Rio Madeira.

No momento, a Semusa acompanha 1.981 gestantes através do Programa Pré-Natal em todo o município.

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Para alcançar todas as mulheres e gestantes, o governo municipal conta com uma infraestrutura de 19 unidades básicas de saúde na zona urbana e mais 2, Areal da Floresta e Maurício Bustani, que são Unidade da Família.

Tem ainda um Barco Hospital Floriano Riva que atende os ribeirinhos do Rio Madeira e a Maternidade Mãe Esperança. Além de contar com as policlínicas e o apoio do Hospital de Base da rede pública estadual.

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O Pré-Natal

Durante o Pré-Natal a gestante deverá realizar pelo menos 6 consultas intercaladas com médico e enfermeiro, e uma com odontólogo. E, havendo necessidade, tantas quanto necessárias.

Assim, de janeiro a julho desse ano, foram realizadas 7.564 consultas nas unidades básicas de saúde. Destas, 656 mulheres estão recebendo acompanhamento odontológico em função de algum problema. Um profissional recentemente inserido no Programa Pré-Natal.

Já foram entregues 3.464 Cadernetas da Gestante, o documento mais importante do Pré-Natal. Nela, estão contidas as informações necessárias a quem realiza o atendimento diante de qualquer ocorrência. Por isso, o porte é obrigatório toda vez que a gestante vai ao médico.

- A Caderneta da Gestante é tudo que se refere a ela. Mas muitas não levam o documento, aponta Elineide.

- Mas conseguimos fazer bom atendimento tanto na zona urbana quanto na rural. Lá, elas são até mais bem assistidas que as da zona urbana, informa Eliana.

- Tanto que a maior incidência de mortalidade é na área urbana. E continua muito alta, enfatiza dra. Penati.

 - Por isso a gente vem trabalhando numa reorganização dos serviços que começou com um novo protocolo para dar uma maior assistência e uma melhor qualidade nos atendimentos. É a reorganização da atenção básica com planificação. Conseguimos consultar a mulher, mas o acompanhamento ainda precisa melhorar, lembra Eliana.

A comunicação

A comunicação de ocorrências e de orientações não é mais difícil na área rural que na urbana. Existem bases de apoio como, por exemplo, Nova Califórnia que fica a 50 km de Extrema. E o hospital de Extrema, a 356 km de Porto Velho.

- E, quando necessário, existe ambulância para transportar a gestante, sem nenhuma dificuldade. Recentemente o prefeito Hildon Chaves entregou mais 8 ambulâncias novas, informou Pasini.

Ela diz que o objetivo é que todos os distritos e comunidades rurais tenham uma ambulância no local. Havia uma deficiência muito grande. Agora, quase cem por cento da zona rural, está com ambulância para conduzir os pacientes.

- A viatura fica lá, dorme lá, para atender o paciente quando precisar. Passou mal? Lá tem motorista, agente de saúde e, às vezes, até um técnico de enfermagem. Eles têm contato e chamam a ambulância. Se for zona rural próximo de Porto Velho, chama o Samu. É atendido na hora. O Samu tem 7 ambulâncias e 1 de sobreaviso, diz Pasini.

Assim, a Semusa consegue fazer a comunicação em tempo certo. O agente de saúde mora próximo dos pacientes de sua jurisdição. Ele atende cerca de 750 pessoas. E é o primeiro a ser acionado diante de qualquer ocorrência.

A comunicação com a mulher que mora na área rural, lá no fundão, se dá em consequência de uma estratificação de risco que é feito pela equipe que a visita.

Onde existe mulher com fator de risco, o agente visita mais e não somente uma vez por mês. Normalmente a população consegue conversar com o agente de saúde comunitário da zona rural. Isso, por que eles passam mais vezes, visitam mais.

- Se uma mulher passa mal à noite, num lugar distante, a família normalmente consegue fazer contato por telefone. Hoje, na área rural, sempre tem um local próximo que pega telefone. E todo mundo tem um telefone, explica Elineide.

- É importante lembrar que nem todo passar mal precisa, necessariamente, de ambulância para vir para Porto Velho. Daí a importância das consultas de rotina. Momento em que a mulher que faz o pré-natal adequado, tira as suas dúvidas e não precisará correr todo dia, diante de qualquer coisa, para o médico ou hospital. Se fizer tudo certinho, consulta mensal, avaliação e acompanhamento, ela não vai ter esse tipo de problema, enfatiza a dra. Penati.

Evasão, grande problema

- Temos pacientes, e muitas, resistentes que não querem fazer pré-natal e nem saber de médico. Principalmente no final da gravidez. A evasão é o grande problema do Programa Pré-Natal. Acham que numa gravidez não precisam de médicos. Ou não procuram por achar que não serão atendidos. São arredias, na verdade, esclarece médica.

Mulheres em risco?

- Essas mulheres, normalmente, estão em risco. Tão em risco sem o pré-natal que, quando finalmente aceitam a intervenção médica, vão para a maternidade com a pressão lá em cima. Aí, às vezes, com 35 semanas, o quadro já é de alto risco, e são encaminhadas para o Hospital de Base, informa.

- Mas se tivesse fazendo o pré-natal normal, e diante de uma anormalidade, ela seria examinada, ficaria sob observação e, estando tudo bem, iria para casa, finaliza a médica que é também, a diretora da Maternidade Mãe Esperança.

E a mulher indígena?

- A mulher indígena está inserida da mesma forma. Tudo do mesmo jeito. Embora a saúde indígena seja obrigação do governo federal, quem atende é o SUS através da rede básica e de toda estrutura de saúde pública, volta a explicar a Dra. Marilene. E Continua:

- Mas na aldeia eles têm veículos, ambulância, tem enfermeiro, equipe e médico da saúde da família, tudo. E quando precisa de uma urgência, pega a ambulância e vem para Porto Velho. Tudo igual, diz dra. Penati.

O que leva à condição de risco?

- A gestante com fator de risco é a que tem diabete, hipertensão, ou alguma doença que exija um acompanhamento diferenciado, explica Eliana.

- Uma gestante com esse quadro que, de repente passa mal na área rural, é encaminhada para a Unidade Básica de Saúde, para o Centro de Referência da Mulher ou para a maternidade. Aí ela passa pelo obstetra, é estabilizada e cuidada, esclarece Penati.

- Resolvida a situação, agenda a próxima consulta e retorna para seu território, pois ainda não temos casa de apoio, a Casa da Gestante. Mas ela tem mais acompanhamento que uma paciente de baixo risco, conclui Elineide.

Tirar dúvidas

Quando chega o final da gravidez, as mulheres vão quase todos os dias na Maternidade. As consultas são intercaladas entre o médico e o enfermeiro. Um faz uma e outro faz a seguinte. Essa é a rotina da equipe multidisciplinar que trabalha com a gestante.

As consultas de pré-natal são muito importantes por ser a ocasião em que a gestante recebe as orientações que precisa. O pré-agendamento não é somente para pedir exame, como muitas acham.

- Por exemplo: o que vai acontecer lá na maternidade? Vai ocorrer um exame clínico da gestante, um pedido de exames para acompanhar e avaliar o desenvolvimento das condições de saúde da gestante e do filho, preparar o Plano de Parto, saber o que vai levar na malinha do bebê, diz Penati.

A busca

A mulher que não compareceu na consulta agendada é procurada pelo o agente comunitário. O Programa do Pré-Natal não fica de braços cruzados. Vai lá saber o que aconteceu, por quais motivos não compareceu e perdeu a consulta. Há uma busca ativa. E é agendada uma nova consulta.  

A infecção urinária, por exemplo, é um dos casos mais recorrentes da gestante durante o pré-natal. Depois vem a hipertensão e o diabete gestacional. Por isso, a mulher não pode faltar às consultas pré-agendadas. O perigo de chegar com uma dessas doenças é muito grande.

Visitas Pré-Natal - Acompanhante

A Semusa está para iniciar o Projeto de Visitas Pré-Natal à Maternidade. Acabou de conseguir veículo para pegar a gestante em sua casa e levar para uma visita à maternidade.

Lá, ela vai conhecer toda a estrutura, os profissionais de saúde como psicólogos, assistentes sociais, equipe de plantão, centro cirúrgico, o local onde terá o filho se for parto normal, e o alojamento conjunto, tudo. 

- Essa ação gera um impacto positivo. A mulher estará acompanhada de uma pessoa por ela escolhida, da sua confiança, que vai acompanhar o parto todinho. A Maternidade Mãe Esperança, garante a presença do acompanhante durante 24 hs. Esse apoio pode ser a mãe, o marido, a tia, a avó. Ela é quem escolhe e traz, diz dra. Penati.

Essa é uma oportunidade para a mulher se familiarizar com o ambiente, as pessoas, e se sentindo mais segura para o momento do parto. Se orientando para o que vem depois.

Cesariano ou natural?

Atualmente o Ministério da Saúde preconiza o parto normal como a melhor opção para a mãe e o filho. Cesária, só é utilizada se preencher requisitos preestabelecidos em protocolo. Na rede pública de saúde, a mulher não tem direito a escolha.

Tanto que hoje, em Porto Velho, 70% dos partos é normal e só 30% é Cesária. A tendência entre o parto normal e a cesariana está no nível preconizado pela Organização Mundial da Saúde

- Mas nós oferecemos a elas as opções de posições de parto que ela quer: agachadas, de cócoras, deitada, na bola, enfim como ela se sentir melhor e mais confortável. Durante o trabalho de parto ela anda, vai na bola, e define como quer, acentua Dra. Penati.

Por isso que, entre as medidas e ações do pré-natal, tem uma muito importante: o Pré-Natal do Papai. Ele tem direito a uma consulta junto com sua mulher. E de saber como vai ser o pré-natal da sua mulher, o parto e todas as coisas desse momento importante na vida do casal.

- Eles acabam ajudando a equipe a cuidar de sua mulher, completa Elineide.

Novo cidadão. Nova cidadã

Na maternidade, após o parto, o nenê já sai com a Certidão de Nascimento, com Cartão do Sus, com as primeiras vacinas, com a triagem neonatal e os testes da orelhinha, do coraçãozinho e da linguinha.

- E nosso é padrão ouro, o único que faz tudo padronizado, concluem com orgulho, aos risos, as três profissionais de saúde.

Gravidez precoce

Por fim, resta destacar que a gravidez precoce, infanto-juvenil, está ocorrendo cada vez mais cedo. A partir dos 10 anos. E, nesses casos, todas as gestações são de alto risco e encaminhadas para o Hospital de Base.

Além destas gestações serem consideradas resultante de abuso sexual e estupro. Um ilícito penal de que são vítimas todas as mulheres menores de 14 anos que engravidam.

- A mulher pode engravidar a partir da primeira menstruação. Mas o corpo ainda não está pronto para suportar essa gravidez, concluiu a secretária Eliana. 

Fonte: noticiastudoaqui.com

 



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