CORONAFEST: O 190 NÃO DEU CONTA!



Claro que o aumento no número de casos de pessoas infectadas pelo corona vírus em Rondônia (já são 199), embora ainda muito menores do que outras regiões do país, é algo preocupante.

 

A quarta-feira marca que estaremos em 22 de abril de 2020. Caso fossem verdadeiros os números catastróficos previstos por um estudo de especialistas da Unir, para o Conselho Regional de Medicina, o Cremero, a entidade que reúne os médicos de Rondônia, estaríamos com parte da população de 1 milhão e 700 mil rondonienses caminhando para algo perto da extinção. Pelo estudo, mostrado com estardalhaço, já nesta quarta-feira teríamos 50 mil rondonienses com suspeita de estarem contaminados com o corona vírus e pelo menos (pasmem!) 25 mil casos confirmados. Teríamos, pelo estudo tresloucado, daqui a menos de um dia, nada menos do que 7.500 pessoas internadas (e não as menos de meia dúzia da vida real) e, mais assustador ainda haveria, não os três casos reais desta segunda-feira, mas sim 375 pacientes internados em UTIs. Não se sabe onde, já que em todo o Estado existe atualmente menos de uma centena de centros de atendimento de urgência em hospitais. O excêntrico, exagerado e assustador estudo vai mais longe: avisa que até 2 de maio, ou seja, daqui a 12 dias, Rondônia teria 500 mil casos (isso mesmo: meio milhão) de pessoas passíveis de contágio; 250 mil infectados; 75 mil pessoas internadas (não se sabe onde!) e, por fim, a soma da absurda e apavorante previsão: haveria, no início do mês que vem, 3.750 pessoas agonizando em UTIs. Ou seja, por quais motivos, enfim, um estudo deste nível, sem qualquer base da realidade, é divulgado por uma instituição respeitada e com um histórico de imensos serviços prestados à coletividade, como o Cremero? Será que todos os associados concordaram com a contratação e, principalmente, com o resultado do espalhafatoso estudo, que, obviamente, todos sabiam que poderia colocar a população em estado de extremo pânico? Por que se está citando esse exemplo, que é local, de um estado periférico?

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Ora, é por causa dessa teoria de uma espécie de extinção de parte da Humanidade, por um vírus que, pelo que está se vendo, lendo, ouvindo por inúmeras regiões do Brasil e do mundo, é pior do que as bombas atômicas, juntas, jogadas sobre o Japão, na Segunda Guerra Mundial. Em São Paulo, por exemplo, a orientação da Secretaria de Saúde em colocar como causa da morte a Covid 19, em casos sem certeza do que levou a vítima ao óbito, faria parte desse pacote, para deixar a população ainda mais prostrada ante uma doença que é séria, claro, mas que não o é mais que outras enfermidades que o mundo já enfrentou, com perdas e danos, mas que venceu, como vencerá o corona? Não se pode subestimar a perigosa Covid 19, que está mesmo causando uma mudança radical sobre como o mundo enfrenta doenças. Mas será que previsões catastróficas, muito longe da já dura realidade, ajuda em alguma coisa? Essa é uma das dúvidas que certamente ficam na cabeça de quem, até agora, não entendeu o motivo do desastroso estudo apoiado pelo Cremero, assustador, mas muito longe da realidade que vivemos. Lamentável!

TUDO PIOROU A PARTIR DAS CORONAFEST

Claro que o aumento no número de casos de pessoas infectadas pelo corona vírus em Rondônia (já são 199), embora ainda muito menores do que outras regiões do país, é algo preocupante. Ainda mais porque quase três dezenas dos contaminados sejam de servidores da saúde e, praticamente todos, do hospital João Paulo II. Mais de 85 trabalhadores do local estão afastados, entre contaminados e os que o foram por segurança.

Um hospital, aliás, que não atende casos de pessoas com a doença. Ou seja, a doença veio de fora. Uma fonte respeitável disse à coluna que tudo começou com a participação de gente da saúde nas famosas Coronafest, onde saíram contaminados e teriam espalhado a doença para seus colegas. No total, 26 servidores estão com a doença e outros 59 caos suspeitos aguardam resultados de exames. Os números dessa segunda-feira demonstram que a doença cresce, principalmente em Porto Velho. Veja o boletim desta segunda à noite: 199 casos confirmados, no Estado, quase cinco vezes mais que há duas semanas. Desses, 135 só em Porto Velho. São 34 curados; nove internados e não se sabe quantos desses casos são graves. Infelizmente, tivemos quatro mortes, duas na Capital e duas no interior. Há 75 suspeitos, aguardando resultado do Lacen e, por fim, 1.163 casos foram descartados. Em apenas um dia, foram, no total, 29 novos registros positivos para a doença. 

FESTAS: O 190 NÃO DEU CONTA!

O telefone 190 da Polícia Militar deve ter recebido, neste final de semana, um recorde de chamadas. Mas, ao invés de pedir ajuda por causa de algum assalto, roubo, furto, assassinato, violência, as ligações eram para denunciar vizinhos e locais onde havia muita alegria, festa, música alta, em plena fase de isolamento do corona vírus. Tudo seria normal, se não estivéssemos em tempos de um vírus mortal e nesses locais não estivessem se registrando aglomeração de pessoas, sem quaisquer cuidados.

Num vídeo postado nas redes sociais, domingo à noite, o deputado Jair Montes, por exemplo, contou que recebeu mais de uma dezena de denúncias. Ligou para o 190 e foi informado que a PM não tinha condições de atender a tantas ocorrências. É sempre bom lembrar que antes do escândalo das Coronafest (que o apresentador do SICNews, da SICTV/Record, Everton Leoni, chama de Festas da Morte), eram pouco mais de 40 casos. A partir delas, o número mais que quadruplicou. E pode continuar aumentando, caso a irresponsabilidade de milhares de pessoas, sem qualquer respeito para consigo, suas famílias e os outros, continuem agindo dessa forma. Têm que se dar fim a essas festas e a essas aglomerações. E começar a punir, exemplarmente, quem age dessa forma. Urgente!  

Autor: Sérgio Pires 



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