O silêncio do governador Marcos Rocha é interpretado pelos opositores como uma espécie de salvaguarda, ao se abrigar na regalia do silêncio
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Logo após começar a pipocar fortes indícios de roubalheira no governo de Rondônia, mais precisamente na fragilizada saúde pública do estado, o governador Marcos Rocha (sem partido) e seus secretários alvos das denúncias continua em silêncio profundo. Ou seja, adotaram a tática do (avestruz).
As suspeitas de que a pandemia do Coronavírus está sendo usada pelo governo de Rondônia para a possível prática de corrupção partiram da Assembleia Legislativa de Rondônia e foram divulgadas por alguns sites de notícias e redes sociais, que passaram a sofrer ataques violentos do próprio governador e de seu secretário de Saúde, Fernando Máximo. Porém, sem muito destaque na mídia tradicional, o caso parece ter caído no esquecimento sem que houvesse respostas plausíveis para as denúncias. Ninguém foi punido.
Até o momento, não há se quer uma nota esclarecendo o assunto, um silêncio sepulcral nos corredores, palaciano. O jornal CN encaminhou perguntas e abriu espaço para explicações, mas até o momento ninguém procurou a redação (ou pelo menos tentou) se defender das supostas acusações. “Todos ficam mudos quando se trata de responder às supostas denúncias”.

Nos últimos anos, a população brasileira tem se acostumado a ver notícias sobre corrupção a nível nacional, com a operação Lava Jato e tantas outras operações dos órgãos públicos investigando e prendendo acusados de crimes de corrupção e de desvios de dinheiro público. Em Rondônia, não é diferente, há várias denúncias de possíveis irregularidades envolvendo gestores do atual governo. Além do primeiro escalão existem outros casos que fazem parte de uma narrativa que envolve a moralidade no governo Marcos Rocha. É o caso do policial militar ‘Sávio Ricardo da Silva Bezerra’, lotado em Porto Velho, apesar de já ter sido preso por Agentes da Polícia Federal, sob suspeita de envolvimento com o tráfico de droga, o governador Marcos Rocha, nomeou seu colega de farda para assumir um cargo na SOPH – Sociedade Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia com o salário de R$ 9.222,00, mais o soldo, (fora as gordas diárias pagas pelo executivo em função de viagens).

“Nada contra a nomeação de policiais”, isso faz parte de um processo democrático que envolve pessoas do círculo próximo a um governante. Até porque, conheço muitos policiais competentíssimos, porém, estamos falando de transparência na gestão pública e nesse sentido há razões suficientes que impeça a nomeação de pessoas supostamente suspeitas. Parece que não há dúvida. E nesse caso, o governador nomeou uma pessoa supostamente investigada por tráfico de droga. Um parêntesis: acho intrigante que o governador não tenha observado essas questões. Será que o governador esqueceu que o pau que bate em Chico baterá em Francisco? Será que ele sabia alguma coisa a respeito? Não há sequer uma nota!
Nos bastidores do poder, há uma informação corrente que certamente auxiliaria a desvendar o mistério do silêncio do governador. Logo que pipocaram os primeiros escândalos, alguém, considerado o guru encarregado de zelar pela imagem do governo, teria recomendado que Marcos Rocha (dizem fontes ligadas ao Palácio) adotasse a “tática do (avestruz)”, que é a de esconder a cabeça no buraco quando se vê diante de um perigo. E, pelo que se observa, Marcos Rocha tem seguido à risca esse receituário: não entra em bola dividida, foge de assuntos polêmicos, ignora perguntas sobre as denúncias que envolvem sua gestão atacando a imprensa.

Mas o que chama a atenção, é que o governador Marcos Rocha, ao assumir o governo prometeu manter, defender e cumprir as Constituições Federal e Estadual, assim como as leis, promover o bem geral da população e desempenhar com lealdade a função de governador. “Será que a promessa do governador em promover o bem do povo de Rondônia esta se resumindo no seleto grupo de amigos que fazem parte do seu ciclo de amizade? Será que o governador Marcos Rocha, está compactuando com a ‘roubalheira’ no Estado de Rondônia?”. “Como é que o governador pode falar em segurança pública quando ele contrata pessoas supostamente envolvidas em coisas erradas. O que será que está por trás de tudo isso?” São essas as interrogações que pairam no âmbito governamental.
Lula

Esse é o retrato do governo Marcos Rocha. Apesar de o Estado receber tanto recurso, a miséria, a pobreza, o abandono dos hospitais e delegacias, a falta de estrutura das escolas e os baixos indicadores de qualidade de vida prevalecem no interior e também na capital. Provavelmente, a corrupção leva boa parte dos recursos que deveriam ser aplicados na saúde, na educação, na segurança e em melhorias para o estado.
O impressiona é que ninguém fala nada, a imprensa está amordaçada. Você não vê uma nota. Por que o governador que fala tanto em transparência, honestidade, controle do dinheiro público nomeia pessoas supostamente suspeitas para trabalhar no seu governo. “Acho que o senhor deve algumas explicações à sociedade rondoniense governador”.
Fonte: Edilson Neves | Correio de Notícia
