Enquanto isso, no centro do Brasil



 

Em dezembro desse ano completo 28 anos de moradia em Rondônia, com a minha família, vindos do nordeste para conhecer e trabalhar nas terras do Marechal; muito aconteceu nesse período.

Um exemplo é o sonho da ligação de Rondônia e Acre com os mercados andinos, a chamada estrada para o pacífico.

Desde 1992 fala-se muito nesse grandioso projeto. Adormeceu por mais ou menos oito anos e reviveu entre os idos de 2013 e 2015, mas com um incremento maioral: o projeto original da estrada veio a se transformar, na boca de muitos políticos numa idéia megalomaníaca de sair do mato grosso rasgando mais de 5 mil quilômetros até as praias do Peru. Imagine.

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Uma obra faraônica, que se fosse exequível, possivelmente consumiria mais de 30 bilhões de reais e teria além das assinaturas de Brasília DF, quatro governadores e vários prefeitos e também de autoridades da República da Bolívia e do Peru.

Não é à toa mesmo que não consegue decolar, nem as estradas de asfalto e muito menos a estrada de ferro, tão promissores para o desenvolvimento regional do sul da Amazônia e dos países de língua espanhola, nossos hermanos.

Dizem no futebol que quem não faz gol: leva!

Pois bem, está em andamento no centro do Brasil outra rota que poderá reduzir muito a prosperidades de Rondônia, Acre e Amazonas.

Estou falando dos projetos de parcerias privadas para a construção de um trecho de ferrovia que liga o Mato Grosso ao Goiás, sendo um novo trecho que sairá do município de Água Boa (MT) para avançar 383 quilômetros até a cidade de Mara Rosa (GO), onde vai se conectar ao eixo central da Ferrovia Norte-Sul. Essa obra dá início à prometida Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), por meio de um acordo já firmado com a Vale.... as obras começam em 2021 e devem ser investidos a bagatela de R$ 2,75 bilhões.

Na Bahia o ministério da infraestrutura já reservou recursos para a conclusão da ferrovia de integração do Oeste-Leste (FIOL) e ainda tem mais 933 Km de estrada de ferro que sai de Sinop no MT ao porto de miritituba no estado do Pará.

Vejam a dinâmica do transporte do agronegócio organizando suas metas de redução de custos, naturalmente o capital e o mercado procuram os melhores caminhos e, os mais curtos - desculpa o trocadilho. As obras juntas devem levar 4 ou cinco anos, e consumirão possivelmente R$ 13,20 bilhões, dinheiro privado - isso mesmo, investimentos do capital no escoamento da produção o que significa que boa parte deverá migrar para esse novo corredor. No futebol dizem que quem não faz gol, leva.

As bancadas federais do Acre, Amazonas, rondônia e do Mato Grosso nunca discutiram isso com maturidade e profissionalismo e tão pouco as federações patronais e as grandes empresas ali radicadas colocaram projetos alternativos e concretos para o escoamento como este que vemos aqui, no centro geográfico do país.

Caso não mudem suas estratégias, ou as lideranças, poderemos ver em breve um possível e sensível esvaziamento das riquezas agropecuárias que fluem pela BR 364 e seus modais complementares atuais. E aqui faço um apelo aos empresários e políticos do sul da Amazônia: pessoal, está passando da hora de privilegiar estudos técnicos sérios que promovam de verdade o desenvolvimento sustentável dos negócios urbanos e rurais dessa região.

Abaixo as vaidades e a miopia, arriba a união e o trabalho pelas famílias da Amazônia.

Façamos juntos, por merecer, antes tarde do que nunca, não é mesmo? Graça e Paz.

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Economista Francisco Aroldo
Conselheiro no CORECON-RO



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