Secretário, servidores, laranjas e empresários estão presos pela PF



PORTO VELHO: A Secretaria Municipal de Educação de Porto Velho ficou em polvorosa na manhã desta terça-feira, 29, por conta da Operação Ciranda, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU), que prendeu o Secretário Municipal de Educação, Marcos Aurélio Marques, Servidores da Semed, empresários e laranjas, num esquema de superfaturamento de licitação para contratação de transporte escolar fluvial para atender as comunidades ribeirinhas do município.

De acordo com o Superintendente da Polícia Federal em Porto Velho, o delegado Caio Rodrigo Pellin, a licitação foi realizada em 2014, (durante a administração do ex-prefeito Mauro Nazif) e foi sendo prorrogada desde então, inclusive com aumento dos valores pagos, uma vez que a licitação inicial era de R$ 5,9 milhões e na prorrogação, o valor foi reajustado para cima em um milhão de reais, sendo pagos pela Secretaria Municipal de Educação, a quantia de R$ 6,9 milhões.

De acordo com o Israel Carvalho, da Controladoria Geral da União, assim que identificou o problema a CGU comunicou formalmente o Secretário de Educação para que tomasse alguma providência, no sentido de coibir a prática fraudulenta, mas ao invés disso, o secretário autorizou a prorrogação do contrato e os pagamentos dos valores integrais do contrato fraudado.

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As rotas

Ainda segundo Carvalho, fazem parte deste contrato 78 rotas de transporte escolar pluvial e todos são atendidos por uma única empresa, vencedora da licitação viciada em 2014. Com base nos valores considerados de mercado, a CGU percorreu todos os itinerários cumpridos pelas embarcações contratadas e constatou que o valor justo a ser cobrado pela prestação do serviço não poderia ultrapassar a casa de R$ 3,8 milhões anuais e que o restante é superfaturamento.

Perguntado sobre o pagamento de propinas para o secretário e para servidores da Semed de Porto Velho, o Delegado Mateus Arcas, responsável pela investigação disse que as investigações apontaram para uma facilitação de servidores, comissionados e de carreira da Secretaria de Educação e da Controladoria, mas que não pode afirmar em pagamentos, mas sim em conivência.

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Prisões e apreensões

Durante a operação Ciranda, a Polícia Federal cumpriu nove mandados de prisão e 28 mandados de busca e apreensão. O décimo mandado de prisão não pode ser cumprido em função do investigado estar se recuperando de uma intervenção cirúrgica recente e precisar de cuidados médicos.

Na residência de um dos empresários envolvidos no esquema, foram apreendidos R$ 19 mil em dinheiro. Junto com os mandados de prisão, busca e apreensão autorizados, a justiça também indisponibilizou bens móveis e imóveis dos envolvidos que podem garantir um futuro ressarcimento aos cofres públicos dos valores desviados.

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Os nove presos na Operação Ciranda prestaram depoimento da sede da Polícia Federal, neste momento passam por exames no Instituto Médico Legal e depois serão removidos para o presídio, porém os delegados não precisaram qual.

Sobre a participação de servidores da administração anterior na fraude identificada, uma vez que ela iniciou em 2015, os delegados avisaram que as investigações continuam e devem ter desdobramentos, mas que esta etapa se concentrou apenas nas irregularidades cometidas a partir de 2017 com a prorrogação e pagamento irregular do contrato.

Apesar da operação ter sido deflagrada, a Controladoria Geral da União diz que a prestação de serviço de transporte pluvial não vai parar. Para isso, a justiça determinou que um interventor passe a acompanhar as atividades da empresa para que nenhuma criança deixe de ser atendida.

Versão da prefeitura

Ainda buscando informações sobre a prisão de seu secretário e membros de sua administração, o prefeito Hildon Chaves convocou a imprensa para uma entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, 29, no salão nobre da prefeitura, a partir das 15 horas. Na ocasião, o prefeito vai reafirmar que não esteve na sede da Polícia Federal na manhã de hoje e tampouco sabia da operação que prendeu o Secretário. Deve falar ainda, que não conhecia a recomendação e orientação feita pela CGU para que a Semed realizasse o contrato e suspendesse o pagamento.

 

 




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