Número de ocorrências de homicídios, onde a vítima é mulher, chega a ser quase cinco vezes mais do que o número de ocorrências registradas na natureza de feminicídio.
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O número de feminicídios subiu 42,85% no estado de Rondônia ao longo de 2020, segundo a Secretaria de Segurança Pública de Rondônia (Sesdec).
De acordo com dados disponíveis no Sisdepol, o sistema da Polícia Civil, no último ano foram registrados 10 feminicídios em Rondônia. Setembro e novembro foram os meses em que mais mulheres foram mortas no estado, sendo dois feminícidios em cada mês.
Um dos crimes mais marcantes em novembro foi o de uma mulher de 30 anos achada morta com corte no pescoço, em Buriti(RO). O suposto autor do crime, um homem de 33 anos, foi preso em flagrante
Em abril do ano passado, o G1 publicou uma reportagem do feminicídio de uma menina de 14 anos. No entanto, nos dados da Sisdepol, o crime não foi contabilizado em abril, que aponta zero registro de ocorrência com a natureza 'feminicídio'.
Feminicídios nos anos anteriores
Em 2019, os dados apontavam que o crime de feminicídio havia registrado uma queda de 12,5% em relação a 2018.
Segundo dados oficiais obtidos com a Secretaria de Segurança Pública de Rondônia (Sesdec), em 2018 foram registrados 8 casos de feminicídio. Já em 2019 o número caiu para 7 e em 2020 o número aumentou para 10 casos de feminicídio.
Tentativas e homicídios de mulheres em 2020
De acordo com os dados do Sisdepol, em 2020 foram registradas 45 ocorrências de homicídio de mulheres.
Em março, mês de comemoração internacional à mulher, foi o que mais teve crimes contra vítimas do sexo feminino: nove assassinatos registrados.
Crimes de tentativa de homicídio contra mulheres somaram, no ano passado, um total de 154 ocorrências. Março também foi o mês com mais ocorrências registradas pelas vítimas.
Mortes de mulheres em 2020
No início do ano passado, uma mulher de 42 anos foi morta pelo esposo, um idoso de 67 anos, em Ouro Preto (RO). A ocorrência foi registrada como feminicídio. O motivo do crime foi porque José de Souza não aceitava o fim do casamento de 13 anos.
Em março, uma adolescente de 13 anos foi morta a golpes de machado pelo namorado, de 16 anos. Após matá-la, ele arrancou os dedos da vítima e exibiu aos moradores da Vila Marmelo, zona rural de Porto Velho.
Em maio, a servidora Priscila Pereira Souza, de 29 anos, foi morta a tiros pelo marido policial enquanto estava na casa de um casal de amigos. O esposo, um sargento que estava com Priscila no local, cometeu suicídio em seguida.

Em agosto, um homem de 55 anos assassinou a neta dele de 13 anos em Porto Velho. Em setembro, Tátila Portugal foi morta. O suspeito de cometer o crime e forjar o possível suicídio da vítima foi o próprio namorado dela, o cantor Cleverson Siebre, conhecido como Kevyn.
Importância do registro como feminicídio
Em entrevista ao G1, o defensor público, professor e comentarista na Rede Amazônica, Fábio Roberto, explica a necessidade da nomenclatura correta no momento da polícia registrar o crime.
"Femicídio é o homicídio contra a mulher. O feminicídio é um homicídio que tem como razão a condição do sexo feminino ou do gênero da pessoa. Feminicídio é um tipo de qualificadora e que amplia muito a pena do homicídio", diz.
"A partir dessas estatísticas é que vamos conhecer a realidade da sociedade e o quão violenta essa sociedade é contra a mulher. Óbvio que no início do registro da ocorrência, em sede policial, ainda não há dimensão total dos motivos. Mas me parece que há uma subnotificação quanto ao feminicídio. É preciso uma atenção muito grande das autoridades policiais para, quando registrar essa ocorrência, identificar se a morte foi por conta do gênero da mulher", destaca.
(G1)
