Confúcio Moura defende crédito para agroindústrias e fomento ao extrativismo



 

A certificação de produtos da agricultura familiar é urgente em Rondônia, propôs esta semana o senador Confúcio Moura (MDB-RO). Ele chama atenção para os produtos do extrativismo: açaizeiros, babaçuais e buritizais.

O senador informou que brevemente o Consórcio Intermunicipal de Saneamento da Região Central de Rondônia (Cisan) certificará as agroindústrias de Ariquemes e do Vale do Jamari.

Há necessidade de se dar continuidade a esse programa de estado e não de governo, como ele sublinha. “As agroindústrias são o princípio da grande indústria em Rondônia, e esta só irá acontecer a partir dessa organização”, assinala.

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De que maneira o senhor vê as agroindústrias familiares no estado?

No meu ponto de vista, agroindústrias familiares são autogestionáveis, as pessoas criam seu autoemprego, são patroas de si mesmas. São fiscalizadas pela Idaron e pela Secretaria da Agricultura, recebendo todas as instruções de vigilância sanitária acopladas em leis ou aperfeiçoamento legal. É possível, sim, aumentá-las progressivamente, principalmente na agricultura familiar nas chácaras, ou mesmo em perímetros urbanos.

São reconhecidas?

A agroindústria recebe um selo de qualidade, uma certificação da vigilância. Brevemente, o Cisan (Consórcio Intermunicipal de Saneamento da Região Central de Rondônia) certificará as agroindústrias regionais no Vale do Jamari, com habilitação própria, e com isso ampliaremos muito o setor.

É possível ir além dos produtos caseiros, já conhecidos e bem vendidos em feiras municipais?

Sim. Essas agroindústrias começam pequenas, vão crescendo, prosperam e diversificam, quando passam a trabalhar com produtos florestais, que fortalecem o extrativismo rondoniense. Os buritizais, por exemplo, são fantásticos no estado, os açaizeiros e o babaçuais também. Temos ainda outros produtos florestais dos quais podem ser extraídos cosméticos que receberão o selo amazônico de qualidade para ganhar os mercados nacional e internacional.

Notamos um velho nó górdio entre esses pequenos industriais de alimentos e da medicina natural em Rondônia. Eles não dispõem do crédito necessário para ir em frente...

As agroindústrias são o princípio da grande indústria em Rondônia, e esta só irá acontecer a partir dessa organização. Aprendendo, se desenvolvendo e, logicamente, sendo acompanhadas pelos órgãos de fiscalização estaduais. Isso, de  maneira especial, porque, infelizmente, o Brasil não está preparado para atender pobre. O País só tem um pensamento grandioso em atender grandes empresas, e com isso estamos deixando de lado a capacidade empreendedora natural do povo brasileiro, que pode iniciar com suas agroindústrias rurais ou urbanas.

Foi o senhor, em seu governo, que moveu as agroindústrias em Rondônia?

Eu sou um entusiasta disso, mas essa ideia não é minha, ela foi desenvolvida em diversos estados brasileiros e elas vai ganhando força. Por esse motivo, digo que elas não podem, de maneira nenhuma, sofrer descontinuidade. Agroindústrias não são programa de governo, são programa de estado e devem ser perenizadas.

Mas as duas primeiras edições da Feira Rondônia Rural Show demonstraram que o grande arranque se deu em seu governo. Como isso aconteceu?

A Rondônia Rural Show nasceu de uma conversa minha com o antigo Ministério de Desenvolvimento Agrário. O ex-ministro Afonso Florence fez um estudo dos estados brasileiros e concluiu: Rondônia é o estado da agricultura familiar. E para dinamizar, arrebentar a boca do balão, bastava acrescentar na agricultura familiar o conhecimento e a tecnologia. Então, esse binômio feito pela Emater, Embrapa, órgãos de assistência técnica, fez surgir a Feira RRS, com a vitrine tecnológica, onde o produtor olha e pega com as mãos aquilo que é possível fazer em sua propriedade. Ela cresceu muito.

Mudou até de lugar...

Sim. Tem uma área que o ex-prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo Pires, doou para o estado. Ela foi muito frequentada, mesmo sem viola e violão, porque, na verdade, tinha mesmo coisas práticas para mostrar à agricultura familiar: crédito barato com juros zero. Tão logo passe a pandemia, eu rogo ao atual governador e ao prefeito de Ji-Paraná que retornem com a RRS da maneira como ela foi preconizada por mim e pelo ex-ministro Afonso Florence, homem muito voltado à inclusão produtiva.

(euideal)



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