“Nós somos pequenos agricultores e não queremos conflitos”
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Um grupo de famílias que foram retiradas da área de uma fazenda está há mais de quatro meses acampando no distrito de São Lourenço, distante 70 km da sede do município de Vilhena.
A reportagem da FOLHA DO SUL ON LINE conversou esta semana com Grauria Dragmar de Moraes Amancio, uma das pessoas que foram despejadas na ação de reintegração de posse ocorrida em 21 de abril deste ano.
A agricultora contou que a grande maioria das famílias estava na área há 14 anos, e sobreviviam do que produziam ali. “A maioria tirava dali a sua subsistência, plantava arroz, feijão, milho mandioca; criava galinhas, e parcos. Agora, acabou tudo”, disse a mulher, que enviou imagens que mostram plantios de algumas culturas cultivadas na área.
O fim, citado pela trabalhadora, aconteceu no dia 06 de abril deste ano, quando foi cumprido mandado de reintegração de posse da área. Segundo ela, as famílias foram pegas de surpresa e algumas não conseguiram sequer retirar os mantimentos de dentro das casas antes do maquinário botar tudo abaixo, como mostra um dos vídeos enviados por ela.
Conforme contou Grauria, inicialmente as famílias que ocuparam há mais de uma década aquela área de cerca de 2.400 alqueires, acreditavam que se tratasse de terras da União. “Somente em 2017 é que soubemos que a área pertenceria a três irmãs. No entanto, a informação que chegou até nós, via INCRA, foi a de que os títulos estariam cancelados e que aquela área iria para reforma agrária”, disse.
No entanto, em 2019, houve uma mudança no cenário. As irmãs teriam vendido a área, mesmo estando em litígio, e o comprador, que mora em Vilhena, é muito conhecido na cidade por envolvimento em conflitos agrários. “Como pode fazer georreferenciamento e escritura de uma área que tem cinco litígios?”, questiona.
De acordo com a integrante do “Acampamento Renascer”, as famílias despejadas alimentam a esperança de retornarem ao pedaço de terra que ocupavam e onde produziam. “Nós somos pequenos agricultores e não queremos conflitos”, ponderou Grauria, antes de afirmar: “espero voltar pra lá para realizar o meu sonho que é ter uma terra para trabalhar”.
Segundo ela, o grupo recorreu da decisão e aguarda a análise da Justiça. “Hoje estamos aguardando uma solução da justiça do nosso país, que tem que apoiar os pequenos agricultores. Somos nós que colocamos o alimento nas mesas dos brasileiros”, ponderou.
