Enfermeira no Samu, Nieve Cortez Alves, conhecida como Nice, cuida da mãe, que está na fase três, de quatro, da doença. A idosa é completamente depende de cuidados.
![]() |
Fiel companheira na luta contra o Alzheimer, a filha se tornou a principal cuidadora da mãe de 95 anos. A idosa está no estágio três, de quatro, da doença. Nieve Cortez Alves, conhecida como Nice, relata que, por conta da patologia, foi preciso trocar os papéis e se tornou a "mãe" da sua mãe.
Quando Dorila Cortez Antelo ainda tinha 90 anos, a filha, que trabalha na área da saúde, começou a perceber os primeiros sintomas do Alzheimer.
"Em 2018, minha mãe tinha 90 anos, mas ela era bem lúcida. Morava em Guajará-Mirim e lá tinha uma vida bem ativa, andava muito de bicicleta e fazia tudo sozinha. Mas com o tempo, percebi que ela, quando ia ao banheiro, se esquecia de se higienizar adequadamente. Como ela sempre foi muito vaidosa, isso me chamou a atenção. Outra coisa que percebi, foi de que ela sempre falava muito no passado. Confundia meu irmão com meu pai, que morreu há mais de 30 anos. Isso tudo me alertou".
Nice é enfermeira e técnica de enfermagem e começou a fazer pesquisas com a suspeita de que a mãe estivesse com alguma doença relacionada a perde de memória.
"Pesquisei sobre demência em idosos e me orientaram a procurar o psiquiatra. Ele pediu tomografias e testes e o resultado foi Alzheimer".

Diante da afirmativa do Alzheimer, a rotina de Nice, que decidiu trazer a mãe para morar com ela em Porto Velho, precisou de uma mudança. Em quatro anos, após o início dos sinais da doença, a filha conta, ter presenciado a evolução da doença.
"Na fase um, ela começou a esquecer o nome dela. Na fase dois começou ficar perdida no tempo e espaço. Hoje, ela está na terceira fase e não lembra de mim, mesmo convivendo com ela. Sempre digo a ela que sou a filha dela, 'mamãe sou eu a sua filha Nice', ela toca em meu rosto e parece lembrar." conta, emocionada.
Uma rotina com caminhadas diária foi estabelecida pela filha, que busca pela longevidade da mãe.
"Uma das características do Alzheimer, no grau três, é de que o idoso fique acamado, pois os membros superiores e inferiores atrofiam, mas no caso dela, eles não atrofiaram, pois eu caminho muito ela".

Cuidar da mãe, explica a enfermeira, é uma missão envolta de um sentimento de reciprocidade do amor dado por ela durante toda a sua vida.
"Em relação a essa doença de Alzheimer, a pessoa volta a ser criança e totalmente dependente de tudo. Ela é meu 'bebezão'. Eu tenho por ela gratidão e honra por ter o privilégio de poder cuidar como ela cuidou de mim. Mesmo que não se lembre de mim, eu sei o quanto fui amada por ela. Ela é o filho que não tive. ", diz.
(G1)
