Seu Ivan Gomes, borracheiro da Avenida Mamoré na confluência com a Rua Mário Andreazza, assiste ao arrastar das obras de drenagem que a Prefeitura realiza cem metros adiante. Com a avenida bloqueada e interrompida, a clientela sumiu e o faturamento do trabalhador caiu a zero.

- A gente fica aqui. Eu e meu filho Leandro Ambrósio, só para manter o negócio aberto. De quando em vez aparece uma moto ou uma bicicleta para calibrar pneus. Os carros não têm como chegar. Mas a gente entende, sabe que a obra é necessária, diz conformado.

Seu Valmir, que tem uma pizzaria ao lado, também se queixa. Os clientes sumiram. “O que me salva, é que atendo muitos clientes pelo telefone. Eles pedem e eu levo lá em suas casas”. Mas à frente tem um pequeno negócio familiar de venda de frutas e legumes. “Aqui, nós estamos perdendo frutas. Não tô vendendo nem um cacho de banana por dia” disse uma jovem que não se deixou fotografar.

Lá juntinho da obra, a loja de material elétrico do Junior e da esposa também viu o movimento cair e o dinheiro do caixa sumir. Todos estão sofrendo com as obras que interditaram as duas pistas da Avenida Mamoré. Isolados, mas esperançosos de que, proximamente, pelo menos uma via seja liberada, o tráfego e o fluxo de gente volte a movimentar as portas de cada um deles.

Segundo informações dos funcionários da empresa Global Construções e Terraplenagem, contratada pela Prefeitura de Porto Velho para realizar a obra de drenagem de águas pluviais que alagam a região no período de inverno, a galeria aberta já está sendo concretada e fechada.

Segundo eles, pelo que ouvem, dentro de aproximadamente duas semanas, se não chover, a pista da direita no sentido BR-364 estará liberada. Aí, será a outra pista que permanecerá interrompida até à altura da Uniron. Mas o tráfego será restabelecido na via livre.

A verdade é que a obra iniciada no final de agosto, impactou e vem causando transtornos na vida de muita gente. Embora seja, por todos, reconhecida como necessária. Os moradores do Bairro Cascalheira, os estudantes das faculdades Uniron, Fimca e Faro, tiveram suas rotas alteradas.

Além destes, os viajantes oriundos do interior do estado que tinham por hábito entrar e sair de Porto Velho pela Avenida Mamoré, ficam perdidos e desorientados nos caminhos desconhecidos de um lado ou do outro, da avenida.
E o pior: não existe uma sinalização correta e adequada, para o dia e para a noite, orientando o condutor de veículo por onde passar para contornar a área bloqueada. Uma providência que ainda dá tempo de fazer: sinalizar e iluminar os caminhos de contorno para quem vem e para quem vai pela Mamoré, importante via da Zona Leste.

Aqui, a confluência da Avenida Mamoré com a Rua Mário Andreazza

A duas pistas da Mamoré bloqueadas em direção à BR-364

A Rua Andreazza só dá acesso à Mamoré em direção à cidade

Os homens trabalham enquanto não chove

Uma ponte improvisada sobre a galeria dá passagem aos veículos de duas rodas e pedestres
E aos comerciantes ambulantes também

A esperança de todos é ver pelo menos uma pista liberada.
Fonte: notíciastudoaqui.com