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Provavelmente os reajustes virão a conta-gotas, porque se viessem numa só vez, seria uma espécie de caos. Com prejuízo de 25 por cento na gasolina que importa e 28 por cento na importação do óleo diesel, a Petrobras não teria como manter a compra dos produtos que ela precisa importar, para abastecer o país, sem que corresse o risco (de novo!) de quebrar. Ao manter o valor dos combustíveis abaixo dos preços internacionais, nossa estatal do petróleo saltou de um lucro bilionário no ano passado, para grandes prejuízos, desde que a nova política foi implantada. A máxima de que a extrema burrice é repetir o mesmo processo, esperando resultado diferente, mais uma vez está em execução. No governo Dilma controlar os preços das contas de energia e dos combustíveis, acabou, quando a realidade teve que ser enfrentada, nos aumentos exagerados que o Brasil teve que bancar. Repetiu-se o mesmo, esperando o que? Até ontem o óleo diesel importado era vendido ao consumidor no Brasil por até 1 real a menos o litro, em relação aos preços internacionais; a gasolina, a menos 75 centavos. Como aumento anunciado de cerca de 16 por cento na gasolina e 25 por cento no diesel, desde a terça-feira, a Petrobras tem uma sobrevida viável.
Como importamos grande percentual, principalmente do diesel que consumimos, a diferença bancada pelos cofres da Petrobras traz duas consequências. A primeira: a estatal caminhava em direção à quebradeira, como já esteve, quando era a empresa do setor mais endividada do Planeta, com seus projetos populistas e irreais. A outra: a falta de produto. Em Rondônia, por exemplo, onde cerca de 50 por cento do óleo diesel é importado, embora ainda não tenha havido o desabastecimento, o risco existia, num futuro próximo, caso não fossem cobrados os preços de mercado, como começou a ser feito agora. Com os aumentos nas distribuidoras, a gasolina, para o rondoniense, passará a custar entre 6,35 a 6,45 o litro. Enfim, decididamente, a economia global não é para amadores e populistas. Porque a vida real é muito mais dura do que os efusivos discursos para agradar o consumidor, que, depois, terá que pagar, como sempre, aliás, por todos os erros cometidos por seus governantes.
Autor: Sérgio Pires
