Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém vê os ‘invisíveis’. Mesmo que andem nus nas ruas avenidas



- Onde estão os 300 mil miseráveis de Rondônia apontados pelo o IBGE? Quero saber? Perguntou muitas vezes o ex-governador de Rondônia, Confúcio Moura, durante o exercício dos seus dois mandatos. E por duas vezes criou projetos e equipes de trabalho para vasculhar o estado atrás da localização destas pessoas deixadas para trás, às margens do caminho do desenvolvimento e da prosperidade do novo estado. Gastou dinheiro e não se viu nenhum trabalho, relatório ou o que seja, dando conta dos dados obtidos e das providências a serem tomadas.

Pois não precisa ir tão longe. Eles, os ‘invisíveis’, estão aqui mesmo. Debaixo do nariz dos governantes. Desafiando os olhos cegos que se recusam a vê-los. Estão em toda parte. Em Ji-Paraná e em Campo Novo; em Ariquemes e em Chupinguaia; na Pérola do Mamoré(Guajará Mirim) e na Suiça de Rondônia(Vilhena). Em todo lugar. É só abrir o coração que os olhos enxergarão. ´

Em Porto Velho, há anos elegeram as escadas e os vãos das portas do Prédio do Relógio, edificação histórica de onde Percival Farquar governava o pedaço de chão amazônico sob bandeira americana, onde se instalou a Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

O mesmo prédio do relógio onde até recentemente se encontrava as superintendências de Turismo e a de Cultura do Estado. As autoridades destas pastas muitas vezes desviaram os passos para não pisotear os ‘miseráveis’ do IBGE que amanheciam os dias dormindo na porta de entrada do prédio que abrigava os seus gabinetes. Ou tiveram que se desviar das fezes ejetadas nas noites mal dormidas ao relento.

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Ainda assim, não eram e continuam não sendo vistas por ninguém. Os ‘miseráveis’ de Rondônia são difíceis de se achar. São ‘invisíveis” até mesmo quando se lhes tropeça neles.

A zona de conforto e o sentido imperial que os cargos dão aos que têm a obrigação de fazer cega-lhes os olhos, endurecem seus corações, embrutecem suas almas. Tira-lhes a visão, arranca-lhes a solidariedade e extirpa-lhes a piedade cristã e solidária.

Talvez seja por estas razões que as secretarias estaduais e municipais de ação social, e promoção social em alguns lugares, que deveriam ter suas vistas focadas nos ‘miseráveis’ doentes, abandonados, famintos, drogados e por todos os desprezados, não os vêem, nãos os enxergam.

Ainda que andem nus, que estejam dormindo ou desmaiados por drogas e fome às 11h do dia num prédio histórico na esquina da Avenida Farquar com a Rua Sete de Setembro, no coração da Capital de Rondônia. Ninguém os ver. O poder ficou cego. E a sociedade, omissa, só se pronuncia para chamar a polícia quando um destes ‘invisíveis’ se ‘materializa’ e lhes bate à porta para pedir um prato de comida. Pensando ser assalto, chamam o 190.  

Nesta temporada política de pedido de votos e promessas do reino dos céus na terra, ainda assim ninguém lembra dos ‘300 mil miseráveis de Rondônia’. Nenhum candidato, até agora, sequer fez menção a um reles projeto para eles, os ‘invisíveis’. 

Este imponente Prédio do Relógio na esquina da 7 de setembro com a Farquar ...

... onde Percival Farquar comandava um pedaço da América do Norte, é há anos, morada dos ‘miseráveis invisíveis’...

... embora tenha sido, até há pouco, sede de órgãos do governo do estado. Que não lhes viam.

 

Pobre mulher doente, nua e ‘invisível’. Ninguém a ver. Mesmo maldizendo seus demônios numa tarde de 3ª feira, 11/09, aos 37 graus das 14hs, em plena Rua Amador dos Reis, ninguém escuta seus apelos nem mitiga seu sofrimento.

 

Ela é Terezinha, doente mental, esquizofrênica e, dizem, dependente de drogas.

 

Ela está caminhando em frente à Estação JK da Oi, em plena Rua Amador dos Reis, centro comercial da Zona Leste de Porto Velho.

Era uma andança frenética pra lá e pra cá, falando com os seus ‘visíveis’, xingando, maldizendo, ameaçando matar os que a atormentam. Sob um sol e um calor escaldante das 14 horas do alto verão amazônico. Mas ninguém lhes ofereceu nem um copo d´água para molhar a garganta rouca e seca.

Onde está a função social das igrejas religiosas que tanto pregam o nome de Deus? Onde estão a caridade, a piedade e a solidariedade dos filhos de Deus? Por onde anda as entidades organizadas da sociedade civil que recebem emendas e convênios com dinheiro público para cuidar do social? Onde estão os que tem obrigação legal de cuidar e preservar a dignidade humana dos excluídos? Onde, por Deus, estão vocês?

Este site quer ouvi-los. Lhes ajudará a tirar ‘a venda dos olhos’. E lhes auxiliará na tarefa de ‘ver’ para resgatar.

Fonte: Noticiastudoqui.com

 


 

 



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