Esse é o tempo do governo de Daniel Pereira. 9 meses. E já entra para a história com secretários e servidores de carreira presos. Trinta e três.Muita gente. Pior: gente da sua confiança e amizade, escolhidos pessoalmente para compor um ‘novo’ governo com possibilidade de reeleição.
O Novembro Azul, virou novembro da Operação Pau Ôco desencadeada pelo Ministério Público e a Polícia Civil do próprio governo de Daniel se encarregando de estancar a sangria nos cofres públicos das secretárias do Meio Ambiente e daJustiça.
Uma suposta quadrilha que operava na Secretaria Estadual deDesenvolvimento Ambiental (SEDAM), era comandada por assessores diretos do governador Daniel Pereira (PSB), que nomeou todos eles para chefiarem o órgão ambiental.
São apontados como líderes do bando o ex-secretário Hamilton Santiago Pereira, o adjunto, Osvaldo Luiz Pittaluga, eÁtila Lima e Silva, ambos homens de confiança de Daniel.
A QUADRILHA
A quadrilha só parou com a chegada do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil, após serem denunciados por servidores daquela secretaria.
Embora o comando da Sedam funcione no Palácio Rio Madeira, era na antiga sede da entidade, na Estrada de Santo Antônio, que funcionava parte do esquema ilegal.
Ligações telefônicas e conversas via internet, comprovaram casos como o inquérito de um engenheiro florestal que teria sido obrigado por Hamilton Pereira, o ex-secretário, a modificar parecer contrário à uma empresacom várias irregularidades, e liberar a licença expedida.
A Polícia Civil cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra servidores públicos efetivos e comissionados acusados de extração ilegal de madeiras em áreas florestais de jurisdição estadual, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, entre outros crimes.
Foi decretada a prisão do agora ex-assessor do governador Daniel Pereira, Flávio Augusto Tiellet, alvo da operação Pau Oco, investigado por supostas irregularidades em sua atuação na SEDAM.Foram presos Hamilton Santiago Pereira (secretário da Sedam), Osvaldo Pitaluga (adjunto da Sedam), Átila Lima e Silva (CODEF), Edna Maria Lopes e Ruberman Conceição (ambos sócios em uma empresa madeireira).
Também foram afastados de funções públicas,por 90 dias,Clóvis Valadares, Dayana Botelho, Daniela Barros, Rogério Romano, Maximiliano Varjão, Luis Henrique Pereira e Dagoberto dos Santos. As prisões são temporárias e podem ser prorrogadas a pedido da polícia.
Todos os envolvidos devem manter distância de pelo menos 300 metros de repartições públicas estaduais e tiveram seus passaportes retidos.
OS CRIMES
Os crimes ocorreram entre agosto e outubro desse ano. E consistia, em grande parte, na inserção de dados falsos em cadastros para Autorizações de Exploração Florestal (Autex). Os secretários foram informados das fraudes,mas nada fizeram.
Outro caso foi o da supressão vegetal da Gleba Corumbiara, em Pimenta Bueno resultante de fiscalização realizada por umapessoa inabilitada:motorista da Sedam.
E houve também, irregularidades envolvendo a empresa M.N Wigger Comércio de Madeira, beneficiada com a concessão de licença de operação sem a vistoria. A licença foi cassada, mas concedida em seguida por ordem de Hamilton Santiago, sem qualquer diligência ou vistoria técnica. A empresa já esteve envolvida em outras fraudes.
Por intervenção direta do secretário Hamilton, foi também liberada licençapara a empresa E.L.A. Woods, sem apresentação de plano de suprimento sustentável, uma exigência legal.
E ainda são citados atos criminosos do bando na utilização de tokens clonados de servidores responsáveis por liberação de licenças. Eles denunciaram o caso tanto à Polícia Civil, como a Polícia Federal.
A RAPIDEZ DE DANIEL
Conta positivamente, em favor de Daniel, a nomeação do funcionário de carreira e engenheiro florestal Renato Berwanger da Silva para ocupar, interinamente, o cargo de secretário de Estado do Desenvolvimento Ambiental, em substituição a Hamilton Santiago Pereira, e do biólogo Jorge Lourenço da Silva, também do quadro efetivo estadual, para o cargo de adjunto, no lugar de Osvaldo Luiz Pitaluga e Silva.
Hamilton e Pitaluga foram exonerados por serem alvo da Operação “Pau Oco”, deflagrada nessa segunda-feira (5) pela Polícia Civil.
Embora não tenha ligação direta com os fatos, nem esteja sendo investigado, Daniel Pereira declarou seu apoioàs investigações para que tudo seja esclarecido e as medidas cabíveis tomadas sem que as ações da Sedam sofram interrupção.
SEJUS
Embora tudo esteja quieto e sem manchetes na imprensa local, Daniel enfrenta problemas também na Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). Alí, ele empossou no dia 11 de abril, o seu amigo pessoal e velho companheiro de sindicalismo: o agente penitenciário Adriano de Castro, 42 anos, como novo titular da pasta em substituição ao coronel Marcos Rocha.
Adriano, de palitó.
Embora seja graduado em história e bacharel em direito, as práticasnada republicanas de Adriano traíram a confiança do amigo. Foi afastado discretamente. Mas os processos de apuração continuam. E ainda vão gerar dores de cabeça para Daniel, que pretendeu montar um curto governo diferenciado do MDB, a quem pertence o mandato até 31 de dezembro desse ano.
Para se afastar de tantos problemas, o governador temporário Daniel Pereira inicia a semana dando iluminação à transição do governo, posando ao lado de Marcos Rocha. Veja o que ele disse:
“Montamos toda uma estrutura e uma lógica para fazermos a transição mais transparente que a história de Rondônia possa ter registrado, inclusive deixamos ainda durante o segundo turno o gabinete da vice-governadoria pronto para atender o governador eleito e sua equipe de transição’’, disse Daniel.
Fonte: notíciastudoaqui.com