Entendendo o universo do atendimento preferencial



devido a sua condição de preferencial, os familiares ou chefes de empresas costumam sobrecarregá-los de papéis para resolver uma série de questões no caixa

 

 

PORTO VELHO – Até completar seis décadas de vida, quando eu ia a algum estabelecimento onde precisasse ficar numa fila, nunca observei como funcionava o tal atendimento preferencial, procurando sempre, independente de Lei, ceder a vez aos que necessitavam de urgência pela elevada idade ou condição que apresentavam.

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E aí completei sessenta anos.

Certa manhã fui a um banco dito “oficial” para fazer um depósito que creditasse imediatamente o valor na conta de um parente. Por ainda não existir, naquela época, a facilidade da remessa bancária via aplicativo, ao invés de depositar via envelope no caixa eletrônico, como sempre fazia, retirei uma senha que me qualificava com a pomposa e destacada reverência de “atendimento preferencial”.

Dois caixas, escondidos atrás de um biombo, atendiam aqueles que eram chamados no sistema eletrônico.

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Acontece que, por mais de 40 minutos, vi chamarem diversas senhas que, pelas letras e numeração, deixava claro não tratarem-se de atendimentos preferenciais. Quando fui chamado fiz a observação ao caixa, que alegou: “Senhor, quem controla isso é o sistema”. Eu questionei: “Acontece que, antes de mim, mais de vinte foram chamados e, entre eles, apenas um preferencial foi atendido”. E ele, impassível: “É o sistema, senhor”. Não deixei por menos, e tornei a falar: “Mas, então, não é preferencial. Uma mulher gestante, um idoso, um deficiente, ou alguém com criança de colo é preferencial e deve ser atendido antes dos demais. É isto que determina a Lei”. E ele, tranquilo e infalível como Bruce Lee (como diz a letra da música “Um Índio”, de Caetano Veloso), “senhor, é o sistema”.

Bom! Por causa de situações como essas e outras já vividas por mim é que, quando chego num banco, numa lotérica ou em lugares onde o tal atendimento preferencial existe, eu dispenso a tal preferência.  Primeiro porque o atendimento às pessoas nos demais caixas geralmente demora bem menos tempo do que no “preferencial”. Segundo porque, geralmente, o caixa preferencial é, ou se mostra, mais lento no atendimento que os demais. Terceiro porque o cliente “preferencial”, geralmente é bem mais lento de ações que os das outras filas. E quarto porque, devido a sua condição de preferencial, os familiares ou chefes de empresas costumam sobrecarregá-los de papéis para resolver uma série de questões no caixa.

Por isso, e com todo o respeito aos demais da minha faixa de idade, prefiro dispensar o tal “atendimento preferencial”.

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*e-mail lccalbuquerque@gmail.com

Autor: Luiz Albuquerque



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