A agressão sofrida por Roberval Ferreira de Lima, médico da Capitalencontrado desmaiado, com sinais de espancamento brutal, na noite de sexta-feira, 14, no Pronto Atendimento do Distrito de União Bandeirantes onde era lotado e prestava atendimento, demonstra bem o cenário caótico da saúde pública no Brasil.
A insegurança, falta de equipamentos, laboratórios para exames básicos, remédios, vacinas e consultórios insalubres, são alguns dos elementos que aterrorizam os médicos brasileiros inscritos no Programa Mais Médico e estimulam a evasão dos que topam enfrentar o desafio.
Pela mesma razão, muito dos inscritos e selecionados desistem antes e nem se apresentam. Só mesmo em decorrência da imposição de ordem ditatorial, de ideologia política e medo, os médicos cubanos iam para onde se mandava. Mas os profissionais brasileiros são livres. Vão onde é menor o risco da violência e o descaso público com o cidadão dependente do SUS.
Não basta cobrarmos o cumprimento do juramento de Hipócrates para que os médicos ‘enterrem’ seus sonhos de praticar uma boa medicina onde, além de não ter nada do que ele precisa para trabalhar, não tem também, a mínima segurança e proteção à sua vida. É uma indignidade.
Esse caso, o do médico Roberval, é emblemático da condição médica no nosso estado e no país. Exige apuração e punição rigorosa para frear o ímpeto dos que, buscando salvar a vida, estressam e surtam no descaso da falta de atendimento e atacam o profissional da saúde, tão vítima quanto ele.
Óbvio que existem meliantes entre os de jaleco branco enfeitado com estetoscópio. Para esses, o rigor da lei. Mas para os que se apresentam e trabalham em ambiente desumano, com sobrecarga, ouvindo gritos e xingamento das pessoas amontoadas nas recepções, nós cidadãos e cidadãs, usuários do SUS, temos que ter tolerância. Pois ele é, naquele momento, a única esperança de salvação da nossa vida. Por que matá-lo?
Fonte: noticiastudoaqui.com