Os corpos das três vítimas do grave acidente ocorrido na Estrada do Palheta, no dia 1º de janeiro de 2026,

Os corpos das três vítimas do grave acidente ocorrido na Estrada do Palheta, no dia 1º de janeiro de 2026, chegaram a Guajará-Mirim na madrugada deste sábado, 3, após serem removidos para o Instituto Médico Legal (IML) de Porto Velho. A situação reacendeu a indignação de moradores e familiares, que voltam a denunciar a histórica falta de médico legista nos municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré.
A ausência do profissional obrigou o translado dos corpos em veículo oficial conhecido como “rabecão”, pertencente ao Governo do Estado, até a capital. O procedimento, embora previsto diante da inexistência de estrutura local, expôs mais uma vez a fragilidade dos serviços públicos essenciais na região de fronteira. Segundo relatos de familiares, o veículo apenas realizou a remoção dos corpos, não permanecendo em Porto Velho para o retorno, o que agravou ainda mais a situação.
Após a liberação pelo IML, os familiares das vítimas enfrentaram dificuldades para trazer os corpos de volta ao município de origem. Sem apoio institucional para o translado funerário, recorreram a campanhas em redes sociais e à solidariedade de amigos e conhecidos para arrecadar recursos destinados ao sepultamento. O constrangimento e o sofrimento se somaram ao luto.
Os corpos chegaram a Guajará-Mirim já em avançado estado pós-morte, exigindo sepultamento imediato, o que causou ainda mais comoção e revolta entre parentes e moradores. Para a população local, o episódio evidencia não apenas um problema pontual, mas uma falha estrutural persistente na política pública de saúde e segurança institucional na região.
Moradores de Guajará-Mirim e Nova Mamoré destacam que a falta de um médico legista não é uma situação nova, mas um problema antigo, reiteradamente denunciado e até o momento não solucionado pelo poder público estadual. A fronteira com a Bolívia, estratégica e populosa, segue sem um serviço básico que garante dignidade às famílias em momentos de extrema dor.
Com a chegada de um novo ano e em meio ao cenário pré-eleitoral, cresce o questionamento da população sobre o compromisso dos futuros representantes políticos com a região. A cobrança é direta: que a fronteira rondoniense deixe de ser tratada com descaso e passe a receber atenção proporcional à sua importância social, geográfica e humana.
O episódio deixa um alerta claro às autoridades constituídas e aos que pretendem disputar cargos públicos: a ausência de políticas efetivas para Guajará-Mirim e Nova Mamoré tem consequências reais, dolorosas e irreversíveis para quem vive na região.
(guajaranoticias)