Quatro cursos de medicina de Rondônia são reprovados no exame de avaliação da Enamed; 'indústria de diplomas



Redação, Porto Velho (RO), 20 de janeiro de 2026 — A divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) nesta segunda-feira provocou forte reação em Rondônia e em todo o país. O Conselho Federal de Medicina (CFM), representado pelo presidente José Hiran Gallo, afirmou que os números revelam uma “radiografia gravíssima” da formação médica no Brasil, ressaltando que “a população não merece médico mal formado”, ao comentar o caso dos cursos do estado que ficaram com notas consideradas insatisfatórias.

No estado, quatro cursos de Medicina foram reprovados no Enamed, enquadrados nas faixas de conceito 1 e 2, abaixo do mínimo considerado adequado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As instituições punidas foram: Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA) e Afya Centro Universitário, ambos em Porto Velho; Faculdade Metropolitana (UNNESA), também na capital; e a Faculdade UNINASSAU Vilhena, no Cone Sul de Rondônia. Esses cursos poderão enfrentar sanções como bloqueio de vagas e restrições a programas federais como Fies e Prouni.

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O presidente do CFM destacou que a proporção de estudantes concluintes que atingiram o desempenho mínimo foi baixa, colocando em risco a qualidade do atendimento médico à população quando esses profissionais ingressarem no mercado de trabalho. Gallo reclamou ainda da expansão “indiscriminada” de vagas e cursos de Medicina na rede privada, muitas vezes sem fiscalização qualitativa adequada, fator que teria contribuído para o baixo desempenho geral observado.

A reação local surge também em meio a números nacionais preocupantes: cerca de 30,7% dos cursos de Medicina avaliados no país não atingiram o nível de proficiência esperado, o que representa milhares de futuros médicos formados em instituições com desempenho considerado insuficiente.

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Enquanto isso, a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) se destacou no cenário local ao alcançar conceito 4 no Enamed, sendo o único curso de Medicina do estado a superar as notas inferiores e consolidar um desempenho mais satisfatório.

A divulgação das notas do Enamed, mesmo com tentativas de impedir a publicação por meio de ações judiciais de algumas mantenedoras privadas, foi mantida e reforça o papel do exame como instrumento de diagnóstico da formação médica no país — embora conselhos profissionais e especialistas defendam que a criação de um exame de proficiência obrigatório, nos moldes da OAB, poderia oferecer garantias adicionais sobre a qualificação mínima do profissional antes de ele começar a praticar.

O debate agora se volta para as consequências práticas dos resultados e as medidas que deverão ser adotadas pelo MEC, conselhos educacionais e Ministério da Saúde para corrigir deficiências e assegurar que a formação médica no Brasil atenda aos padrões exigidos pela sociedade — com foco na segurança e na qualidade do atendimento clínico.

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Fonte: noticiastudoaqui.com



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