
Redação, Porto Velho (RO), 22 de janeiro de 2026 - A divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) colocou em evidência um debate acalorado sobre a qualidade do ensino de Medicina no Brasil e, especialmente, em Rondônia, onde quatro cursos do estado receberam notas insatisfatórias no exame nacional realizado em outubro de 2025 e divulgado em 19 de janeiro de 2026 pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep. Cerca de 30% dos cursos avaliados no país ficaram com desempenho considerado ruim — abaixo do mínimo esperado de proficiência — e Rondônia destacou-se negativamente nesse cenário.
O caso ganhou contornos políticos por causa do deputado federal Maurício Carvalho (União Brasil), presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, que tem laços com o setor educacional privado e, segundo reportagem de opinião publicada pelo portal Rondônia Dinâmica, ainda não se posicionou publicamente sobre o desempenho insatisfatório de dois cursos de Medicina que integram o Grupo Aparício Carvalho, dos quais ele é dirigente e que estão entre os piores avaliados em Rondônia.
Os dados oficiais do Enamed revelaram que a Faculdade Metropolitana obteve conceito 1, o mais baixo possível, enquanto a FIMCA recebeu conceito 2, ambos classificados como insatisfatórios e expondo fragilidades na formação dos futuros médicos. Instituições que atingem essas notas podem enfrentar sanções administrativas, como bloqueio de novas vagas, restrições a programas como Fies e ProUni e até redução de vagas já para este ano.

Organizações médicas reagiram com preocupação ao desempenho geral dos cursos privados. O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), médico rondoniense José Hiran da Silva Gallo, qualificou os resultados como “alarmantes”, destacando riscos à segurança da população caso profissionais sem a formação adequada comecem a atuar. A Associação Médica Brasileira (AMB) também expressou apreensão, alertando que milhares de formandos que não demonstraram domínio mínimo de competências essenciais podem, pela legislação atual, registrar-se e exercer a profissão normalmente.
A situação acendeu um debate mais amplo sobre proficiência e critérios de avaliação no ensino médico, com propostas em discussão para a criação de exames de proficiência obrigatórios antes da concessão do registro profissional, seguindo modelos semelhantes ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
No centro desse debate está o silêncio do presidente da Comissão de Educação, que acumula funções políticas e privadas em uma área diretamente afetada pelos resultados do Enamed. Para especialistas e críticos, o momento exige transparência e posicionamentos claros sobre como enfrentar os desafios da formação médica no país e garantir a qualidade da assistência à saúde da população.
Fonte: noticiastudoaqui.com