
Redação, Mais de 15 mil famílias ligadas ao garimpo artesanal afirmam viver hoje uma situação de emergência social. Segundo relatos de lideranças do setor, centenas de trabalhadores tiveram balsas, dragas e pertences destruídos durante operações de fiscalização, perdendo não apenas os instrumentos de trabalho, mas também a própria moradia — já que muitos viviam nessas estruturas. A estimativa é que cerca de 60 mil pessoas tenham sido diretamente afetadas e agora dependam de ajuda governamental para sobreviver.
O tema voltou ao centro do debate nesta semana após denúncia da advogada Tânia Sena à imprensa. Ela descreveu um quadro “dramático”, com famílias que “tiveram todos os seus bens queimados, destruídos ou até explodidos”, o que teria inviabilizado a continuidade do trabalho e da renda. “Muitas viviam em suas balsas e dragas. Sem elas, não há como sobreviver”, afirmou.

Tânia Sena reconheceu a importância da fiscalização para coibir irregularidades e proteger o meio ambiente, mas defendeu que o combate a ilícitos seja feito com critérios técnicos e respeito a quem trabalha dentro da lei. “A fiscalização é necessária e ajuda as cooperativas e os que trabalham corretamente. O problema é a forma agressiva como acontece atualmente”, disse, ao pedir que as ações diferenciem o garimpo artesanal regular das práticas criminosas.
A controvérsia expõe um conflito complexo: de um lado, a obrigação do Estado de proteger áreas sensíveis e combater crimes ambientais; de outro, o impacto social imediato sobre comunidades que dependem da atividade para subsistência. Lideranças do setor cobram políticas públicas de transição, com cadastro, regularização, assistência técnica e alternativas de renda, para que a repressão às ilegalidades não se traduza em colapso humanitário.

Enquanto isso, famílias relatam insegurança e falta de perspectivas. “Sem trabalho e sem casa, resta esperar por ajuda”, diz um trabalhador que pediu para não ser identificado. O apelo é por diálogo, transparência e fiscalização responsável, que una proteção ambiental e justiça social. O desafio agora é construir uma solução que preserve a natureza sem abandonar quem depende do trabalho para viver.
Fonte: noticiastudoaqui.com
Com informações de opiniãodeprimeira