Pedágio na 'Rodovia da Morte' é vinho no copo da Nova BR-364 e dor no bolso do povo



Redação, Porto Velho RO, 15 de fevereiro de 2026 – A implantação da cobrança de pedágios na BR‑364, trecho que corta Rondônia ligando Porto Velho a Vilhena, desencadeou um dos debates públicos mais intensos deste início de 2026 no estado: a percepção de que o modelo de concessão se transformou em um enorme “negócio da concessionária” com custos considerados extorsivos pelos usuários e impactos sociais e econômicos difíceis de medir.

Segundo estimativas divulgadas pela imprensa local, com base nos percentuais de rateio que a concessionária Nova 364 S.A. — responsável pela exploração da rodovia por 30 anos — repassa às prefeituras como compensação, a receita da empresa pode alcançar cerca de R$ 4 milhões por dia apenas com a cobrança de pedágios. Esse cálculo decorre dos valores arrecadados nos primeiros dias de pedágio, que somaram quase R$ 38 milhões, segundo reportagem especializada.

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“Cobrança extorsiva”

O tema rapidamente extrapolou o entorno da infraestrutura viária para se tornar questão política, social e econômica. Moradores, transportadores, caminhoneiros e lideranças comunitárias passaram a classificar a cobrança como “abusiva” ou até “extorsiva”, sobretudo porque muitos serviços prometidos — como duplicações, terceiras faixas e outras melhorias substanciais no pavimento — ainda não foram entregues, mesmo com o início da cobrança.

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A crítica é reforçada pelo fato de que, em alguns momentos, veículos leves e caminhões teriam sido cobrados em sistema automático mesmo com eixos levantados — prática que, segundo usuários, deveria resultar em tarifa menor, por não refletir o peso real.

Justiça entra no jogo

O debate transcende opiniões nas redes e ganhou contornos jurídicos: no final de janeiro, a Justiça Federal em Rondônia concedeu liminar suspendendo a cobrança de pedágio no trecho concedido da BR-364, após ações movidas por entidades como a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Rondônia (Aprosoja/RO), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e o partido União Brasil. A decisão considerou falhas técnicas, irregularidade na fiscalização contratual e deu espaço às queixas de que o pedágio iniciou-se antes de todas as condições previstas em contrato para justificar a cobrança.

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Horas depois, a concessionária Nova 364 confirmou que recebeu a intimação judicial e afirmou que cumprirá a determinação liminar enquanto analisa medidas legais. A empresa destacou que vinha atuando “em conformidade com as diretrizes contratuais e sob fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”.

Impactos diretos no cotidiano

Para usuários da rodovia, o impacto é concreto. Caminhoneiros relatam que são obrigados a desembolsar quantias significativas para cruzar a rodovia, que não conta ainda com duplicações em grande extensão e segue com trechos considerados perigosos — razão pela qual a BR-364 é chamada popularmente de “Rodovia da Morte” por parte da população, em decorrência da frequência de acidentes graves no passado.

Além disso, moradores de municípios ao longo do trajeto argumentam que a cobrança penaliza principalmente quem trafega diariamente para acessar serviços essenciais, como saúde, educação e trabalho, enquanto ainda vê poucos resultados de obras de melhoria.

Debate político e pressão social

No cenário político — tanto no Estado quanto na esfera federal — representantes têm sido cobrados por respostas. Deputados estaduais e federais enfrentam pressões para revisar o modelo de concessão, alterar valores tarifários, redistribuir praças ou até propor mecanismos compensatórios mais robustos para usuários frequentes. Parlamentares chegaram a qualificar o modelo como “injusto” e “concessão às avessas”, por supostamente iniciar a cobrança antes de entregar os benefícios prometidos.

O debate também ganhou repercussão em audiências públicas e em redes sociais, com segmentos empresariais e movimentos de usuários pedindo transparência, revisão tarifária e fiscalização mais rigorosa por parte da ANTT.

A grande questão

O contrato de concessão da BR-364/RO, que prevê R$ 10,23 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, foi anunciado pelo governo federal como uma forma de modernizar a infraestrutura viária e melhorar a segurança e logística na principal ligação terrestre entre Rondônia e o restante do país.

No entanto, autoridades, usuários e especialistas agora debatem se o modelo atual alcança o equilíbrio justo entre investimentos e impacto econômico para os cidadãos. Para muitos críticos, é inaceitável que a rodovia esteja em grande parte sem duplicação ou serviços substanciais ao mesmo tempo em que arrecada cifras milionárias todos os dias, a ponto de suscitar expressões como “pedágio extorsivo” no imaginário coletivo.

Fonte: noticiastudoaqui.com




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