
Redação, Porto Velho RO, 21 de fevereiro de 2026 — Em um cenário que mistura conquistas pontuais com desafios profundos na gestão pública, a capital de Rondônia vive dias difíceis em suas contas e indicadores sociais. O cenário levou o Executivo e a Câmara Municipal a realizarem ajustes com cortes no orçamento. Falta dinheiro.
Levantamento recente revela que a arrecadação municipal caiu cerca de R$ 300 milhões, enquanto os investimentos programados no orçamento foram reduzidos a apenas 2 %, demarcando uma forte retração na capacidade financeira do município e afetando áreas como educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Arrecadação em queda
Os dados apontam para uma queda significativa na receita local, resultado de fatores como redução de repasses federais e desempenho abaixo do esperado na arrecadação de tributos, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A redução de recursos impacta diretamente a capacidade de investimentos da Prefeitura, que agora destina apenas uma fatia mínima do orçamento às ações que mais precisam de aporte técnico e financeiro.
Enquanto isso, o peso da folha de pagamento aumenta, com salários de servidores e gestores públicos, incluindo o próprio prefeito, consumindo uma fatia maior dos recursos. Essa combinação de receita menor e gastos fixos mais altos complica ainda mais o equilíbrio fiscal e reduz o espaço para políticas públicas estruturantes.
Educação sofre retrocesso

Um dos aspectos mais sensíveis desse quadro é o desempenho da educação municipal. Porto Velho havia conquistado um marco histórico ao alcançar o Selo Ouro no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, reconhecimento concedido pelo Ministério da Educação (MEC) que destaca excelência na alfabetização até o 2º ano do ensino fundamental — um feito que colocava a capital como referência nacional.
No entanto, em 2025 a cidade caiu para o Selo Prata, refletindo uma deterioração no desempenho educacional e na implementação de políticas pedagógicas consistentes. Além da perda de prestígio, essa queda também tem impacto direto nos cofres públicos: estima-se que cerca de R$ 20 milhões deixem de ser repassados ao município devido ao rebaixamento no desempenho.
Especialistas em educação ressaltam que a manutenção de políticas públicas eficazes, formação continuada de professores e programas estruturados em escolas são fundamentais para sustentar avanços, e que a perda de investimentos pode comprometer a qualidade do ensino a longo prazo.
Competitividade e indicadores
A crise fiscal e administrativa também se reflete em indicadores mais amplos. Porto Velho sofreu uma queda marcada no Ranking de Competitividade dos Municípios, despencando mais de 100 posições e ficando em 370º lugar entre 418 municípios avaliados, num retrato do enfraquecimento institucional e econômico da capital.
Essa posição reflete não apenas o desempenho educacional, mas também a fragilidade em áreas como gestão fiscal, serviços públicos essenciais e ambiente de negócios — elementos que compõem a visão de competitividade municipal.
Desafios futuros

Autoridades e técnicos apontam que o município enfrenta bloqueios de repasses federais por falta de prestação de contas e ausência de projetos técnicos adequados, o que agrava a falta de recursos para investimentos. O clima de apreensão é palpável entre os servidores da Secretaria Municipal de Fazenda, preocupados com a sustentabilidade das finanças municipais.
Mesmo diante desse panorama, a Prefeitura tem registrado conquistas em outras áreas da administração, como o reconhecimento com o Selo Diamante de Transparência Pública, concedido pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) por excelência na transparência de dados públicos. Esse selo aponta esforços para tornar a gestão mais acessível e clara à população, um elemento que especialistas consideram importante no fortalecimento da confiança pública.
Contudo, para muitos observadores, Porto Velho enfrenta um momento decisivo: equilibrar responsabilidades fiscais e a prestação de serviços essenciais, sobretudo em educação, saúde e infraestrutura, será crucial para reverter a perda de indicadores e retomar a trajetória de desenvolvimento sustentável.
Reflexos na população
Os efeitos desse ajuste financeiro e administrativo já são sentidos pelos moradores. A redução de investimentos compromete melhorias em escolas, espaços urbanos, serviços básicos e projetos estratégicos. A perda de recursos e a queda de desempenho educacional trazem preocupações entre professores, pais e especialistas, que alertam para as possíveis consequências de longo prazo sobre a formação de crianças e jovens.
Enquanto Porto Velho enfrenta essa fase de incertezas, a expectativa recai sobre a capacidade de planejamento técnico, diálogo entre poderes e medidas que possam reequilibrar as contas públicas sem sacrificar ainda mais os serviços essenciais que impactam a vida cotidiana da população.
Fonte: noticiastudoaqui.com