Redação, Porto Velho RO, 06 de junho de 2026 - A destinação de mais de R$ 3 milhões em recursos públicos para a realização de exposições agropecuárias e contratação de artistas nacionais voltou a provocar questionamentos sobre as prioridades da aplicação do dinheiro arrecadado dos contribuintes em Rondônia. Enquanto milhares de cidadãos enfrentam dificuldades no acesso à saúde pública, convivem com a deficiência dos serviços de saneamento básico, falta de água tratada em diversas localidades e preocupações crescentes com a segurança pública, verbas estaduais estão sendo direcionadas para eventos festivos no interior do Estado.
Os recursos foram destinados por meio de emendas parlamentares executadas pela Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel). Conforme divulgado, a 20ª ExpoUrupá, no município de Urupá, recebeu aporte de R$ 1,58 milhão. Já a ExpoVale 2026, em Vale do Anari, foi contemplada com R$ 1.478.400, totalizando R$ 3.058.400 em recursos públicos.

A programação da ExpoVale prevê apresentações de artistas de projeção nacional. A dupla sertaneja Fernando & Sorocaba se apresentou ou está programada para se apresentar no dia 5 de junho, com cachê estimado em R$ 800 mil. No dia seguinte, a atração principal é a dupla César & Paulinho, contratada por cerca de R$ 330 mil. Juntos, os dois shows somam aproximadamente R$ 1,13 milhão, valor que corresponde à maior parte dos recursos destinados ao evento.
Embora os investimentos em cultura e entretenimento sejam permitidos pela legislação e frequentemente defendidos como instrumentos de movimentação econômica, geração de empregos temporários e fortalecimento do comércio local, o volume de recursos empregado em festividades desperta críticas em um Estado que ainda enfrenta desafios históricos em áreas essenciais.
Em muitos municípios rondonienses, moradores continuam convivendo com filas para consultas e exames especializados, carência de medicamentos, limitações na infraestrutura hospitalar, deficiência na coleta e tratamento de esgoto e problemas recorrentes no abastecimento de água.

O contraste entre as demandas básicas da população e os elevados gastos com atrações artísticas alimenta o debate sobre a gestão do orçamento público. Para críticos desse modelo, o problema não está na realização de eventos culturais em si, mas na definição das prioridades quando os recursos são escassos e os serviços públicos essenciais permanecem aquém das necessidades da sociedade.
A discussão se repete em diversas regiões do país e ganha contornos ainda mais sensíveis em localidades onde a população depende diretamente do poder público para ter acesso a saúde, saneamento e segurança. Nesse contexto, cresce a cobrança por maior transparência e por critérios que permitam avaliar se os benefícios econômicos e sociais gerados pelos eventos justificam os valores investidos, especialmente quando esses recursos têm origem nos impostos pagos diariamente pelos trabalhadores brasileiros.
Fonte: noticiastudoaqui.com