Redação, Porto Velho RO, 29 de julho de 2026 - Há políticos que fazem da paciência uma ciência e da espera, uma estratégia, e o senador Confúcio Moura (MDB) sempre pertenceu a essa escola. Com a bagagem de quem atravessou três décadas ocupando cargos majoritários e parlamentares, o emedebista passou meses medindo riscos, alimentando o silêncio e movendo peças nos bastidores como um enxadrista que prevê o xeque-mate.
Contudo, a sofisticada engenharia erguida pelo experiente articulador desmoronou em questão de horas diante do racha da própria base, levando-o a considerar seriamente a desistência da reeleição e o encerramento definitivo de sua vida pública.
O cenário que parecia amplamente favorável até a véspera das convenções partia de uma composição nacional: o PT priorizava a candidatura de Confúcio ao Senado, a jornalista Luciana Oliveira recuava em prol da frente ampla e o PSB ensaiava aproximação, posicionando o senador entre os nomes mais competitivos nas pesquisas iniciais.
A virada de mesa ocorreu quando o próprio MDB homologou candidatura própria ao governo estadual, contrariando o alinhamento desenhado nos gabinetes. A reação foi imediata e devastadora: o PT desfez a aliança e recolocou Luciana na disputa, enquanto o PDT decidiu lançar o ex-senador Acir Gurgacz, selando a fragmentação do bloco.
A pulverização em um campo progressista, que já é historicamente pequeno em Rondônia, escancara como interesses pessoais e vaidades partidárias atropelaram o consenso estratégico. Em vez de consolidar uma candidatura única e viável para o Congresso, a esquerda local optou pela divisão, tornando o terreno inóspito para o enxadrista que esperava caminhar em voo solo.
Pressionado por todos os lados e desgastado por um xadrez em que aliados fecharam as portas por dentro, Confúcio Moura assiste à sua arquitetura política ruir, provando que nem mesmo décadas de habilidade e experiência imunizam os velhos profetas da vida pública contra as ironias do destino.
Fonte: noticiastudoaqui.com