Decreto federal cria, de surpresa, Parque Indígena em terras de produtores rurais de 4 municípios e provoca protestos




A criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas do Rio Tanaru, abrangendo áreas dos municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste, provocou forte reação de produtores rurais, moradores e representantes políticos de Rondônia. A medida, formalizada pelo governo federal, reacendeu um antigo debate sobre regularização fundiária, preservação ambiental e os impactos de novas restrições territoriais sobre famílias que ocupam e produzem em determinadas áreas há décadas.

Parlamentares da bancada federal rondoniense, como Lúcio Mosquini e Fernando Máximo, criticaram a decisão e alegam que a criação da unidade de conservação poderá afetar diretamente moradores que aguardam há anos a regularização definitiva de suas propriedades. Segundo os críticos da medida, muitas dessas famílias foram assentadas pelo Incra ou estabeleceram residência e atividade produtiva em áreas cuja ocupação ocorreu de forma pública e contínua ao longo de sucessivos governos.

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A controvérsia também resgata discussões relacionadas à expansão de áreas protegidas em Rondônia nas últimas décadas. Setores do agronegócio e representantes de produtores rurais afirmam que diversas unidades de conservação e áreas especiais criadas no passado resultaram em insegurança jurídica para moradores que investiram recursos, construíram patrimônio e desenvolveram atividades econômicas em regiões posteriormente submetidas a restrições ambientais.

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Entre os pontos mais questionados está a situação de famílias que ainda não possuem títulos definitivos de propriedade, apesar de ocuparem as áreas há muitos anos. Para entidades ligadas ao setor produtivo, a ausência de regularização fundiária amplia a vulnerabilidade desses moradores diante de mudanças promovidas por decretos ou atos administrativos.

Por outro lado, defensores da medida argumentam que a criação de áreas protegidas busca preservar patrimônios ambientais e culturais considerados estratégicos para o país, além de garantir proteção a territórios de relevância ecológica e histórica.

O episódio evidencia um dos temas mais sensíveis da Amazônia brasileira: a busca por equilíbrio entre preservação ambiental, proteção de populações tradicionais e garantia de segurança jurídica para produtores e famílias que vivem da terra. Enquanto parlamentares prometem contestar a medida e buscar sua revisão, moradores das regiões atingidas aguardam definições sobre o futuro de suas propriedades e atividades econômicas.

A discussão deve ganhar novos capítulos nos próximos meses, envolvendo órgãos federais, representantes políticos, produtores rurais, movimentos sociais e instituições ligadas à questão fundiária, em um debate que ultrapassa os limites de Rondônia e alcança toda a Amazônia Legal.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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