Redação, Porto Velho RO, 03 de setembro de 2026 - O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez uma série de acusações graves em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na oitiva, realizada sem a presença de integrantes da Polícia Federal, Vorcaro afirmou ter sofrido ameaças e intimidações durante sua prisão e declarou que teria sido pressionado para não avançar em uma eventual colaboração premiada.
Segundo o relato divulgado pela Veja, Vorcaro afirmou que recebeu ameaças relacionadas à possibilidade de revelar informações sobre pessoas que, segundo ele, teriam influência sobre os acontecimentos envolvendo o Banco Master. O ex-banqueiro também mencionou diretamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao falar sobre sua relação com integrantes da corporação e sobre as supostas pressões que teria sofrido. As declarações, contudo, são acusações feitas pelo próprio Vorcaro e não representam, por si só, comprovação dos fatos narrados.

Um dos pontos mais sensíveis do depoimento envolve justamente a tentativa de Vorcaro de estabelecer uma relação entre as supostas ameaças e o interesse em negociar um acordo de delação premiada. A defesa sustenta que o ex-banqueiro teria informações relevantes sobre o caso, mas as tratativas anteriores não avançaram. Em depoimento à Polícia Federal realizado em 28 de agosto, Vorcaro já havia manifestado disposição para prestar esclarecimentos mais amplos, embora a PF tivesse rejeitado anteriormente propostas de colaboração por entender que não havia novidades ou elementos suficientes.
No depoimento ao STF, Vorcaro também descreveu situações que classificou como maus-tratos e tortura psicológica e física durante o período em que esteve sob custódia. Ele relatou ainda ameaças contra familiares e afirmou que teria sido colocado em condições destinadas a mantê-lo isolado. Entre os episódios narrados está a alegação de que teria permanecido por horas dentro de um espaço restrito, situação que ele apresentou como parte das pressões que teria sofrido.
As declarações provocaram forte repercussão política e institucional. O Partido Novo chegou a pedir ao ministro André Mendonça a prisão preventiva de Andrei Rodrigues, alegando que os fatos narrados por Vorcaro deveriam ser investigados. O pedido, entretanto, não significa que as acusações tenham sido comprovadas ou que exista decisão judicial reconhecendo a prática dos fatos relatados.
O episódio ganhou ainda mais tensão porque o depoimento ocorreu em meio às investigações sobre o Banco Master, instituição que se tornou alvo de uma ampla apuração da Polícia Federal envolvendo suspeitas de irregularidades financeiras e operações relacionadas à tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB).

Em outro trecho da oitiva, Vorcaro negou ter cometido fraude e defendeu a operação envolvendo o BRB. Ele afirmou que considerava o negócio benéfico para o sistema financeiro e sustentou que os recursos movimentados pelo Master foram utilizados nas atividades da própria instituição, inclusive para resgates de investidores. Também negou ter utilizado esses recursos para benefício pessoal ou de familiares.
O ex-banqueiro admitiu, entretanto, que algumas operações envolvendo carteiras de crédito foram realizadas antes de toda a documentação necessária estar disponível. Questionado pela Polícia Federal, confirmou que o Banco Master cedeu determinados créditos ao BRB antes de receber a documentação completa, mas afirmou que havia documentação básica e que posteriormente foram tomadas providências para complementar os registros.
Vorcaro também afirmou que estava tentando encontrar uma solução para o Banco Master e citou negociações com investidores nacionais e estrangeiros. Segundo sua versão, havia planos envolvendo a venda de diferentes instituições do grupo, mas essas alternativas não teriam prosperado. Ele atribuiu o fracasso das negociações à existência de interesses dentro do Banco Central e do mercado financeiro que, segundo sua interpretação, desejavam sua saída do setor.

A repercussão do depoimento, porém, não se limitou às acusações contra a Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento das acusações relacionadas aos supostos maus-tratos e ameaças, argumentando que o depoimento não apresentou elementos materiais suficientes para justificar a abertura de uma investigação. O procurador-geral Paulo Gonet também apontou que as alegações não vieram acompanhadas de comprovação capaz de sustentar, naquele momento, uma apuração criminal específica.

O caso coloca novamente o Banco Master no centro de uma crise que envolve bilhões de reais, instituições financeiras, Polícia Federal, Banco Central, Justiça e possíveis acordos de colaboração. As acusações de Vorcaro aumentam a pressão sobre as autoridades e podem gerar novos desdobramentos políticos e judiciais, mas precisam ser separadas das conclusões oficiais das investigações.

Enquanto o conteúdo do depoimento provoca reação em diferentes setores, permanece em disputa a versão apresentada pelo ex-banqueiro e a interpretação das autoridades responsáveis pelas investigações. O ponto central agora é saber se as acusações de ameaças, pressões e supostos abusos encontrarão provas independentes capazes de sustentá-las — e se as informações que Vorcaro afirma possuir poderão produzir novos capítulos no já complexo caso envolvendo o Banco Master.
Fonte: noticiastudoaqui.com