Desemprego dos pais leva filhos mais cedo para mercado
Por: Redação | Publicado em: | Categoria: Economia
Dados da Pnad Contínua mostram que a taxa de participação de dependentes no mercado alcançou 60,1% no terceiro trimestre do ano passado.
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Dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do terceiro trimestre de 2019, apontam que a taxa de participação de dependentes no mercado de trabalho alcançou 60,1% – mais do que no mesmo período de 2018 (58,8%) e bem acima do que havia sido registrado em 2014, antes da recessão, quando os dependentes eram 55,8%.
No terceiro trimestre do ano passado, eram 59,2 milhões de brasileiros que não eram chefes de domicílio e faziam parte da mão de obra disponível – 6 milhões a mais do que cinco anos antes, quando o País não tinha enfrentado a recessão. Os números, compilados para o Estado pela consultoria IDados, também mostram que os chefes de família ainda são maioria na força de trabalho, mas o desemprego e a dificuldade de recolocação tornaram cada vez mais difícil para eles a conquista do emprego.
No fim de 2012, ano em que a Pnad começou a ser feita, a participação desses chefes de domicílio no mercado de trabalho batia em quase 70%. Sete anos depois, embalada pela recessão, a queda registrada é de quase quatro pontos porcentuais. Para Bruno Ottoni, economista da iDados, esse cenário é ilustrativo da atual situação do mercado de trabalho: a recuperação até ocorreu em 2019, mas foi lenta e puxada por vagas de menor remuneração. “A participação dos mais jovens aumentou quase três pontos porcentuais desde a recessão; a de mulheres, quatro pontos porcentuais. A família precisou se reorganizar para tentar se manter”, avalia. “Há um esforço de toda família, e o desemprego de longa duração leva a pessoa a agarrar a primeira oportunidade”, diz Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A entrada antecipada e em condições adversas de um jovem no mercado de trabalho, para compensar a perda de renda da família, pode condenar esses trabalhadores a anos de informalidade e baixa remuneração. Bruno Ottoni lembra que a falta de experiência e a necessidade forçam os dependentes a caírem na informalidade. “Quando se é jovem e é preciso procurar trabalho nessas condições adversas, alguns são obrigados a parar de estudar. Esse trabalhador deixa de acumular capital humano e só consegue vagas de baixa remuneração.”
No trimestre móvel encerrado em novembro, segundo a Pnad Contínua, do IBGE, as ocupações sem carteira lideraram a geração de vagas, e houve recorde de 38,8 milhões de informais. Sérgio Firpo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), lembra que o trabalhador que começa na informalidade tem mais chances de permanecer sem carteira. “Ele terá menos oportunidades depois, mesmo quando a economia se recuperar.”
Fonte: Agência Estado
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