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Os casos de covid-19, doença causada por um tipo coronavírus, aumentam dia a dia, se espalham pelo mundo e são alvo crescente de fake news —- muitas delas relacionadas à cura da infecção, que ainda não existe.
As notícias falsas também tratam de focos de epidemia que teriam sido escondidos pela mídia e até a construção secreta de um hospital em Minas Gerais. Tudo desmentido por infectologistas e autoridades.
Verifique abaixo os principais boatos envolvendo o coronavírus e previna-se do risco de compartilhar mentiras por aí:
Loló não mata coronavírus
Um áudio que começou a circular pelos aplicativos de mensagem durante o Carnaval e seguiu sendo repassado nos últimos dias diz que o loló, droga semelhante ao lança-perfume, usado por inalação, seria a cura para o coronavírus.
Apesar do tom de piada de muitos dos que compartilharam a mensagem, o alcance dela pode ser perigoso.
A droga é uma mistura de éter e clorofórmio e, além de não curar doença alguma, representa risco para a saúde. O seu uso é ilegal.
Onde há casos confirmados de coronavírus

China (Hong Kong e Macau), Afeganistão, Alemanha, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Armênia, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Bélgica, Brasil, Camboja, Canadá, Catar, Chile, Coreia do Sul, Croácia, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes Unidos, Equador, Espanha, Estônia, EUA, Filipinas, Finlândia, França, Geórgia, Grécia, Holanda, Índia, Irã, Iraque, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Kuait, Líbano, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia do Norte, Malásia, México, Mônaco, Nepal, Nigéria, Noruega, Nova Zelândia, Omã, Paquistão, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Dominicana, República Tcheca, Romênia, Rússia, San Marino, Singapura, Sri Lanka, Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan, Ucrânia e Vietnã - Atualizado às 18h de 4 de março
Fonte: AFP
Cocaína não mata coronavírus
Na mesma linha, há um mês, uma mensagem prometia a cura para o coronavírus com outra droga: a cocaína.
Mas não há qualquer comprovação científica disso. Para a infectologista Rosana Ritchmann, do Departamento de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, trata-se de desinformação. "Beira o absurdo", declarou a médica ao UOL.
Diretor do HC não indicou chá de erva-doce para tratar coronavírus
Um falso e-mail atribuído ao diretor do HC (Hospital das Clínicas) da USP (Universidade de São Paulo) faz recomendações infundadas para tratar os infectados com o vírus.
Entre elas, está a dica para tomar chá de erva-doce, que teria o mesmo efeito do medicamento Tamiflu — retroviral usado para casos de gripe. Segundo o texto, esta informação é de um infectologista do Hospital São Domingos, que teria tratado a gripe H1N1 com a receita.
Ao UOL, a assessoria de comunicação do HC afirmou que o texto não foi elaborado pelo hospital e que seu corpo não possui "qualquer estudo relacionado a este tipo de informação".
O Hospital São Domingos também negou a recomendação e declarou que "não há nenhuma comprovação científica quanto ao uso do chá de erva-doce como medicamento contra o vírus H1N1 ou com o mesmo efeito do Tamiflu".
Água e chá quentes também não curam infecção por coronavírus
Outra corrente, por sua vez, afirma que a solução para matar o vírus seriam temperaturas acima de 27°C, pois "o vírus não resiste ao calor". A dica falsa? Tomar chá ou água quentes.
Também não há qualquer indício de que altas temperaturas matem o vírus e nem que a ingestão de líquidos quentes o faça. De acordo com o Ministério da Saúde, ainda não há tratamento específico contra o coronavírus, mas a pasta recomenda a ingestão de muita água (não só quente), assim como remédios para amenizar febre e dores.
Brasileiro com coronavírus não pulou carnaval em SP
Desde a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, na quarta-feira (26), tem sido divulgado nas redes sociais que o paciente, um empresário de 61 anos diagnosticado após retornar da Itália, teria circulado por São Paulo e pulado Carnaval.
Segundo o Ministério da Saúde, no entanto, não há informações de que seu fim de semana tenha sido assim animado: ele chegou da Itália na sexta (21), passou o sábado (22) com a mulher em repouso, reuniu-se com familiares no domingo (23) e, na segunda (24), já foi ao Hospital Albert Einstein com sintomas da doença.
Coronavírus no Brasil

Dada a ausência do papa Francisco em eventos públicos nos últimos dias, usuários das redes sociais começaram a especular que ele, no coração da Itália, teria se infectado com o coronavírus. Uma corrente não tardou a confirmar a situação, atribuindo a informação a um comunicado do Vaticano — que não existiu.
"Nenhuma vez, por parte do Vaticano, foi mencionado coronavírus, mas sim 'leve indisposição' e 'resfriado'", afirmou a imprensa oficial do Vaticano ao UOL.
No Twitter, a especialista em fake news Cindy Otis, ex-funcionária da CIA (Agência de Inteligência dos EUA), também desmentiu esta fake news e mostrou que a notícia foi impulsionada por um site da China.

Áudio de bombeiro denunciando epidemia e construção de hospital em MG é falso
Um áudio atribuído a um bombeiro militar do 13º Batalhão do Minas Gerais diz que o estado tem "mais de 58 casos de coronavírus espalhados em Contagem, Betim e Belo Horizonte" e que o governo e a mídia não divulgam o fato para não alarmar a população. Para resolver, o governo mineiro estaria planejando construir um hospital.
Mas o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e a Secretaria Estadual de Saúde (SES) negam a informação. De acordo com boletim divulgado em 2 de março, há 17 casos em investigação no estado, nenhum deles confirmado. Em todo o Brasil, só há duas confirmações, ambas em São Paulo.
A SES também negou que haja a construção de um hospital exclusivo para coronavírus e informou que o 13º Batalhão do Corpo de Bombeiros em Minas Gerais não existe.
Suposta foto de mortos na China é ato artístico na Alemanha

Esta foto circula desde janeiro. Segundo as mensagens, as pessoas caídas são vítimas do coronavírus na China. Uma versão anuncia "centenas de pessoas mortas"; outra fala em doentes caídos.
A verdade, porém, é outra: a foto não foi tirada na China, mas na Alemanha. É de 2014 e não tem nada a ver com a doença.
No dia 24 de março, 528 pessoas deitaram no chão de Frankfurt para lembrar todos os mortos no campo de concentração nazista "Katzbach". A foto foi tirada por Kai Pfaffenbach, da Agência Reuters.
Fonte: Uol
