Republicano não escondeu o desejo de vencer o prêmio por ser um 'pacifista', como definiu a Casa Branca, que encerrou várias guerras ao redor do mundo

María Corina Machado, líder da oposição da Venezuela e vencedora do Nobel da Paz de 2025, disse que presenteou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a medalha da honraria durante uma reunião na Casa Branca na quinta-feira, 15. Antes do anúncio de que Machado havia sido escolhida como laureada, o republicano não escondeu o desejo de vencer o prêmio por ser um “pacifista”, como definiu a Casa Branca, que encerrou várias guerras ao redor do mundo. Trump, como era de se esperar, recebeu a medalha com agrado.
“Foi uma grande honra conhecer María Corina Machado, da Venezuela, hoje. Ela é uma mulher maravilhosa que passou por tantas dificuldades. María me presenteou com seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que realizei. Um gesto maravilhoso de respeito mútuo. Obrigada, María!”, escreveu o líder americano na Truth Social, rede social da qual é dono.
O encontro foi realizado quase duas semanas após a operação dos EUA em Caracas, que levou à prisão do ditador Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores. O casal, que alega inocência, responderá a acusações de “narcoterrorismo” em um tribunal em Nova York. Nos dias que se sucederam à captura, Machado não poupou elogios a Trump, embora tenha sido escanteada pelo mandatário da Casa Branca, que tem ignorado seus apelos para uma transição rápida e para que Edmundo González, suposto vencedor das eleições de 2024, assuma o poder.
“Somos profundamente gratos ao Presidente Donald Trump. Chegar até aqui exigiu visão, coragem e decisão. O Presidente dos Estados Unidos fez isso em benefício de seu povo, de seus eleitores, do povo dos Estados Unidos, mas também em benefício dos venezuelanos e de toda a América”, disse Machado em entrevista ao jornal argentino Infobae na semana passada.
Quem é María Corina Machado?
Machado, que foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz 2025 por sua luta pela democracia, lidera a oposição da Venezuela desde 2023, quando venceu as primárias para disputar o pleito de julho do ano seguinte contra Maduro. Sua candidatura, porém, foi barrada por uma manobra do regime, e ela endossou o desconhecido diplomata Edmundo González para representar a ala oposicionista.
Apesar de acusações de fraude e evidências contrárias, Maduro declarou-se reeleito e, em janeiro do ano passado, tomou posse para um novo mandato de seis anos. Desde então, ela passou a viver escondida na Venezuela e, devido à perseguição, González fugiu para o exílio em Madri. Machado decidiu deixar o país em novembro para comparecer à cerimônia de entrega do Nobel em Oslo, e desde então não voltou.
Apesar de os resultados eleitorais apontarem vitória de González e de ele ter sido reconhecido presidente eleito da Venezuela pelos Estados Unidos, União Europeia e diversos países na América Latina, Trump não defendeu que ele (ou sua mentora política) assumissem o governo após a deposição de Maduro.
O presidente americano afirmou que Machado “é uma mulher simpática”, mas disse que ela não tem apoio suficiente para liderar uma transição. Em vez disso, sugeriu que os Estados Unidos “vão governar” a Venezuela por tempo indeterminado, sem dar detalhes sobre o como ou até quando, até que seja possível realizar uma transição “justa e sensata”.
(veja.abril)