Chegada de porta-aviões dos EUA e de navios de guerra de apoio ao Oriente Médio amplia opções militares

Após uma repressão brutal das forças do governo iraniano contra manifestantes, várias fontes disseram à Reuters que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando opções que incluem ataques aos líderes e às forças de segurança do país.
Duas fontes norte-americanas familiarizadas com as discussões disseram que Trump queria criar condições para uma “mudança de regime”, mesmo enquanto autoridades israelenses e árabes afirmaram que o poder aéreo, por si só, não derrubaria os governantes clericais do Irã.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e a Casa Branca não responderam aos pedidos de comentários. O gabinete do primeiro-ministro de Israel se recusou a comentar.
A chegada de um porta-aviões dos Estados Unidos e de navios de guerra de apoio ao Oriente Médio nesta semana ampliou as opções militares de Trump. “Nós temos uma armada, temos uma enorme, temos uma enorme frota indo naquela direção. Talvez não tenhamos que usá-la, vamos ver”, disse o republicano
O presidente alertou repetidamente que os Estados Unidos poderiam ter o Irã como alvo após os protestos eclodirem no fim do ano passado. Um funcionário norte-americano disse que Trump ainda não tomou uma decisão final.
A Reuters falou com diversas fontes que pediram anonimato para este relato das deliberações de alto risco. Duas disseram que as discussões incluíam opções para atingir comandantes e instituições que Washington considera responsáveis pela violência, para dar aos manifestantes a confiança de que poderiam tomar prédios do governo e de segurança.
Quatro autoridades árabes, três diplomatas ocidentais e uma fonte ocidental sênior disseram estar preocupados que, em vez de levar pessoas às ruas, ataques dos Estados Unidos possam enfraquecer o movimento de protesto no Irã.
Uma autoridade israelense sênior disse que Israel não acredita que ataques aéreos, por si só, possam derrubar a República Islâmica. Já uma importante autoridade iraniana disse à Reuters que o Irã estava ‘se preparando para um confronto militar, ao mesmo tempo em que fazia uso de canais diplomáticos’.
Entretanto, disse a autoridade, Washington não parecia aberto à diplomacia. O líder supremo do Irã culpou os Estados Unidos e Israel pela agitação, e alertou que irá retaliar se for atacado.
Estados do Golfo — aliados de longa data de Washington e anfitriões de grandes bases norte-americanas — temem que seriam os primeiros alvos de uma retaliação iraniana. Arábia Saudita, Catar, Omã e Egito fizeram lobby junto a Washington contra um ataque ao Irã. “Os Estados Unidos podem puxar o gatilho”, disse uma fonte árabe, “mas não vão conviver com as consequências. Nós vamos.”
(R7)