Ele foi o maior comprador de ouro do Brasil. Não com seu verdadeiro nome, José Cândido de Araújo, mas como Zé Arara, o personagem principal da era dourada de Itaituba, que abrigava a maior quantidade de pousos e decolagens de aviões pequenos do país, mesmo tendo aeroporto precário.
De lá saíam todos os anos centenas e centenas de quilos de minério, a maior parcela clandestinamente, sobretudo para São Paulo, transportadas por “mulas”, em voos comerciais ou em pequenos aviões.
Zé Arara chegou a ter uma frota de teco-teco, que usava para voos constantes entre Itaituba e o garimpo do Patrocínio, que comandava, ou para servir a amigos. O dinheiro fluía volumoso, permitindo aos donos de garimpos extravagâncias, como as de Zé Arara, que mandou construir uma banheira banhada em ouro.
Em sua história empresarial, ajudou muita gente a levantar um patrimônio considerável. Digamos que foi “pai de muitos”. Excêntrico, porém, com um grande coração.
Zé Arara morreu no último dia 11, em Florianópolis, Santa Catarina, já sem desfrutar da fama que chegou a ter nos anos de 1970/80.
Zé Arara perdeu muito, mas nunca foi um garimpeiro de alma livre, capaz de gastar em uma noite, com mulheres e bebida, tudo o que levou meses para ganhar. Ao contrário, ele construiu um patrimônio. “Além de ter um jato, tinha 15 aviões pequenos e quatro bandeirantes”, ressalta. Um problema com o jato em Itaituba fez com que Zé Arara trasladasse o avião de volta para a fábrica, em Nova York.
“O avião explodiu no ar. Morreram dois tripulantes, dois comandantes e dois mecânicos. Para eu desenrolar esse rolo e não ser preso nos Estados Unidos, tive que gastar 200 quilos de ouro”, conta o garimpeiro.
Zé Arara comandou, por muito tempo, o famoso garimpo Patrocínio, um dos maiores da região do Tapajós, além de implantar o hotel “Pousada das Araras”, na paradisíaca Parnaíba-PI.
“Na inauguração do hotel, ao fim dos anos de 1980, levou vários amigos de Itaituba, em seus aviões. Os que iam em outros, na rota, em escala, bastava dizer: “Sou convidado do Zé Arara”. Pronto. Combustível liberado. Meus pais Truth e Dulcinéa estavam entre eles.” afirma Luis Henrique Santos de Macedo, amigo de longas datas de Zé Arara.
LÚCIO FLÁVIO PINTO e GIRO