O Brasil está discutindo se devemos ou não andar com um rifle no ombro e um cinturão cheio de balas e duas pistolas na cintura, como um Django, Sartana, Búfalo Bill ou Tex Willer dos tempos do faroeste, para garantir a nossa segurança pessoal, da nossa família e do nosso patrimônio na cidade ou no campo.
Veja que isso decorre do fato de não sermos um país pacífico, como se pensa e parece. Ao contrário, nós nos matamos mais que países em guerra.
Ano passado, 2018, 62 mil pessoas morreram assassinadas no país. A população inteira de uma cidade média. Uma absurda taxa de 30,3 de mortes por cada 100 mil habitantes.
No mesmo 2018, outras 37 mil pessoas morreram no trânsito. Entre estes, famílias inteiras esmagadas entre ferragens de veículos acidentados por imprudência e outras causas como álcool e drogas.
No santo ambiente onde as pessoas ganham o pão, só no 1º trimestre de 2017, morreram 2.351 pessoas em acidentes de trabalho. A maioria por falta de equipamentos de segurança ou negligência do empregador. Uma média de uma morte a cada 4 horas e meia. Nessa marcha, chega-se a quase 10 mil por ano.
De janeiro a fevereiro desse ano, 2019, 126 mulheres foram assassinadas por questão de gênero. Por ser mulher. Em 2018 foram 4.539 homicídios de mulheres. É o Brasil com a triste marca de 40% dos feminicídios ocorridos na América Latina em 2017.
Você acha que acabou? Então veja isso:
Segundo o Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar, lançado em 15 de agosto de 2018, em São Paulo, mais de 54 mil pessoas morreram em hospitais públicos ou privados, no ano passado, 2017, por causa dos chamados eventos adversos graves. Ou seja, erro médico.
Esses dados significam que 148 pessoas morrem por dia numa incrível média de 6 mortes por hora por erro médico nos hospitais públicos e privados do Brasil.
Pesquisa da Datafolha confirma esses números e aponta que os erros denominados de ‘eventos adversos graves’, decorrem de falhas assistenciais, processuais e infecções nos hospitais brasileiros.
Dessas 6 mortes por hora, pelo menos 4 poderiam ser evitadas com a realização de procedimentos corretos, desde que oferecidos as condições necessárias.
Então, observe se, nesse ambiente conflagrado em que o Brasil está mergulhado, uma arma na cintura, debaixo do travesseiro, atrás da porta ou no cofre do carro, vai pacificar o ânimo do cidadão. Pense.
O que fará o cidadão que perdeu o filho por erro médico; o marido ciumento que olhou o celular da mulher; o pai ou filho que chegam em casa bêbados; o motorista que foi fechado no trânsito ou os esportistas que discutem a vitória ou derrota do time entre um gole e outro.
A paz tem outras bandeiras. E o dever do estado é promover e manter a pacificação social. A obrigação da sociedade é zelar pelo ambiente amistoso com respeito e educação em casa, na igreja, no trabalho, na rua e na comunidade.
Fonte: noticiastudoaqui.com