Em 2004, a Vale - que nasceu Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, no Estado Novo de Getúlio Vargas, em plena Segunda Guerra Mundial, em Minas Gerais - completou 60 anos de vida. Comemorou a data lançando o belo álbum Histórias da Vale, com 300 páginas, escrito pelo jornalista mineiro Geraldo Mayrink, a partir de um banco de dados que resultou de quase 200 depoimentos de personagens da história.
"Nada tão grande quanto as dimensões humanas da Vale", garantiu o paulista Roger Agnelli, presidente da companhia por 10 anos, o que por mais tempo se manteve no cargo. Na carta de apresentação, ele disse que a Vale "conquistou seu lugar em um espaço muito mais profundo que o mundo dos negócios: no coração das pessoas". Por isso, estava certo de que o leitor do livro iria se emocionar "com a vivência de pessoas que, independentemente da época, do local e da função, nesse momento parecem tão próximas, tão irmãs, tão Vale".
Agnelli, que morreu tragicamente, com toda sua família, num acidente de avião que maior prudência da parte dele teria evitado,via o livro "não como uma história do passado, mas sim como uma projeção do futuro". Ao ser lido "pelas novas gerações de empregados", o livro iria fortalecer a ligação, reforçando o caráter e garantindo "o renascimento e o crescimento desse país chamado Vale do Rio Doce".
Se essas palavras possuíam então algum conteúdo de verdade, 15 anos depois, o vento da história, com as tragédias causadas pela mineradora, se encarregou de levá-las para muito longe da realidade.
LÚCIO FLÁVIO PINTO
Belém (PA)