No fim da semana passada foi morto o 31º Policial Militar no Rio de Janeiro. No Pará, foi o 15º. Como o Rio tem o dobro (16 milhões de habitantes) da população do Pará, proporcionalmente estamos muito à frente do outrora cenário mais belo do Brasil, agora sob inédita intervenção federal, exercida pelo Exército (agora com a adesão dos fuzileiros navais da Marinha), na segurança pública do Estado.
Uma pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha diz que quase um terço dos moradores da antiga capital federal já estiveram no meio de um tiroteio. Quase 40% acreditam que vão passar por esse perigo algum dia; 90% estão com muito medo.
Nada diferente no Pará e em muitos Estados brasileiros, especialmente do Nordeste, exceto pela circunstância de que uma intervenção federal por aqui não vai render o impacto da iniciativa no Rio. O original no Pará, em relação ao conjunto federativo, foi ter tido um general (da reserva do Exército) no comando da segurança pública durante três anos de silêncio. Calado estava, calado se foi, sem sequer dizer a que veio. Agora, como de regra, o cargo passou para um delegado de polícia, que ainda não apresentou nem para os seus comandados, parecendo mais interessado em não aparecer mesmo.
Providencie-se logo uma pesquisa Datafolha também aqui. Quem sabe provoque alguma reação neste estado de zumbis.
LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal