Alienação amazônica



Dois dias atrás perguntei: por que o Pará não mandou representante para participar da expedição científica que localizou a árvore mais alta da Amazônia justamente no interior da Floresta Estadual do Pará, de 3,6 milhões de hectares? 

A equipe incluiu dois representantes do Amapá, certamente porque o Estado também faz parte do corredor ecológico  -   o maior do mundo - no qual as 15 árvores de angelim vermelho, com mais de 70 metros, foram identificadas, a partir de uma imagem de satélite que incluía 50 delas, com o dobro da média das altas árvores em outras áreas amazônicas.

O coordenador da pesquisa é de uma universidade instalada numa das regiões mais pobres de Minas Gerais, os vales do Jequitinhonha e Mucuri. Das universidades de Helsinque, Oxford, Cambridge, das mais importantes do mundo, vieram pesquisadores para fazer a jornada. Foi um gaúcho que subiu ao topo da árvore, com 82 metros, especialista na atividade.

Ninguém do Pará foi, ninguém do Pará se apresentou para responder à pergunta sobre essa constrangedora ausência. Mas o que pensar de uma universidade rural, que mantém um dos mais antigos cursos de engenharia florestal do País, abrigando no seu campus um escritório comercial da Stihl, o maior fabricante de motosserras do mundo? O que pensar de um corpo docente e discente que não se importa com essa companhia - no mínimo, inusitada?

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Para quem vive na Amazônia e não se importa com o que acontece nela, enquanto o mundo se volta novamente para  a sua história, o castigo de ignorar esses alienados é merecido.

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Belém (PA). Foto Rafael Aleixo /Setec



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