"O interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério".
Foi uma das frases mais fortes que Jair Bolsonaro disse hoje, num discurso que fez para garimpeiros de Serra Pelada em frente ao Palácio do Planalto, onde o presidente recebeu representantes do grupo, integrantes da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp).
Como quem se julga possuidor de um grande segredo, Bolsonaro anunciou que divulgará um vídeo sobre a exploração do grafeno, para ajudar a "abrir a cabeça da população" sobre o verdadeiro interesse por trás da posição de líderes indígenas, como o cacique Raoni Mekutire, do Parque Nacional do Xingu.
Foi o bastante para os garimpeiros tirarem o pedido da algibeira: querem a volta de uma "administração militar" da área. Bolsonaro não se fez de rogado: garantiu que enviará as forças armadas se houver amparo na lei.
— O mundo, muitas vezes, (fica) criticando o garimpeiro. Agora, a covardia que fazem com o meio ambiente, empresas de vários países do mundo fazem aqui dentro do Brasil, ninguém toca no assunto porque a propina, pelo que parece, pelo que parece, corre solta, pelo que parece.
Mas não especificou a quais companhias estava se referindo.
Para conquistar ainda mais simpatia do público ali reunido, sustentou que a mineradora Vale cometeu um "crime" na década de 1990, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, apropriando-se das jazidas em Serra Pelada e em outros pontos da província mineral de Carajás.
Em nota enviada à imprensa, a Vale informou não ter atividades em Serra Pelada nem qualquer operação de mineração subterrânea no Pará. "A empresa cedeu a área de jazida à Coomigasp (Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada) em março de 2007. A empresa mantém no município de Curionópolis apenas a unidade Serra Leste, de exploração exclusiva de minério de ferro".
Em matéria de Serra Pelada, o Brasil regrediu ao fim do regime militar. O capitão Bolsonaro se apresenta como um Frankenstein da mineração, uma conjuminação do general João Figueiredo, o último presidente da ditadura, que saiu pela porta dos fundos do palácio, com o coronel Curió, seu agente operacional no local.
LÚCIO FLÁVIO PINTO
Belém