Aposta no tumulto e na provocação aos quartéis



 

Jair Bolsonaro reagiu como pai e não como presidente da república à afirmativa do caçula de 35 anos, o deputado federal Eduardo, que ameaçou a radicalização da esquerda, na avaliação dele, com um novo AI-5. Disse que o filho está sonhando. Não sonha, não: está delirando num pesadelo.

Argumentou que o AI-5 surgiu (no final de 1968) sob uma constituição completamente diferente do atual. É verdade. Mesmo a constituição talhada pelos militares em 1967, depois do golpe, era muito melhor do que a carta desnaturada pela emenda de 1969, que refletiu o criador, o monstrengo Ato Institucional de sexta-feira, dia 13 (de dezembro), data aziaga.

Se o presidente foi sincero na sua avaliação, ou precisa impor o solilóquio aos três filhos políticos ou se trata de um coro de três vozes, afinadas pelo regente, que lhes submete variações em torno do mesmo tema. Cada um canta de um jeito, mas começam com a mesma partitura e terminam de volta a ela. É a aposta no tumulto, na provocação aos quarteis, numa solução de força.

Nada sugere que haverá o gran finale que planejam.

LÚCIO FLÁVIO PINTO



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