Mancha de óleo é avistada no Estado do Rio pela primeira vez



Cerca de 300 gramas do material foram removidos de praia em São João da Barra. Material é compatível com o óleo encontrado no litoral da região Nordeste e Espírito Santo

 

RIO - Pequenos fragmentos de óleo foram detectados e removidos na Praia de Grussaí, em São João da Barra, no Estado do Rio, nesta sexta-feira. Este é o primeiro registro do material no litoral fluminense. A informação foi divulgada pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo os órgãos, o material corresponde a cerca de 300 gramas e foi analisado pelo Instituto de Estudo do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e constatado como compatível com o óleo encontrado no litoral da região Nordeste e do Espírito Santo.

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Um grupamento de militares da Marinha já se encontra no local efetuando monitoramento e limpeza. Servidores do Ibama se juntarão a essa equipe neste sábado.

Fragmentos de óleo já tinham sido encontrados na Praia de Camburi, em Vitória, capital do Espírito Santo, no último sábado.

'Nos preparamos para o pior'

Em entrevista coletiva no Rio, o presidente Jair Bolsonaro voltou a comentar, neste sábado, o derramamento de óleo na costa brasileira. Ao ser questionado sobre o fato de o produto ter aparecido em São João da Barra, ele disse que se preparou para o pior.

- Nós gostaríamos muito que fosse identificado quem realmente cometeu, no meu entender, esse ato criminoso. Agora, não sabemos o quanto de óleo ainda tem no mar. Na pior hipótese, um petroleiro, caso tenha jogado no mar toda a sua carga, menos de 10% chegou em nossa costa ainda, então nós preparamos para o pior. Pedimos a Deus que isso não aconteça - afirmou ele, que participou das cerimônias de celebração do 74° aniversário de criação da Brigada de Infantaria Paraquedista e do Jubileu de Ouro e de Prata da Brigada de Infantaria Paraquedista, na Vila Militar

As manchas de petróleo em praias do Nordeste começaram a aparecer na Paraíba . A substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas.

O Rio é o 11º estado brasileiro atingido pelo óleo. Já haviam sido afetados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo.

Um levantamento divulgado pelo Ibama, na quinta-feira, informou que 724 localidades foram contaminadas. Entre os municípios do litoral nordestino, 72% deles tiveram praias afetadas desde o início do desastre ambiental.

Investigações

O navio Bouboulina , de bandeira grega e propriedade da empresa Delta Tankers LTD, segue sendo o principal suspeito pelo vazamento do petróleo. É o que sustenta o Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Norte, que acompanha as diligências da investigação da Polícia Federal (PF) responsável por apontar a embarcação como foco suspeito do derramamento de óleo .

O MPF aponta dificuldades de colaboração por parte da Delta Tankers, que não teria fornecido os documentos sobre o transporte do petróleo embarcado na Venezuela, e por parte das autoridades da Grécia, neste caso em razão da inexistência de um acordo bilateral com o Brasil.

Em resposta aos questionamentos feitos pelo GLOBO, a empresa afirmou, primeiro, que os documentos foram encaminhados para o Ministério de Assuntos Marítimos da Grécia na semana passada e que nunca houve um contato direto com as autoridades brasileiras. Depois, numa nova resposta, a Delta Tankers disse que confirmava o recebimento dos documentos pelo Brasil, inclusive com reuniões entre autoridades nacionais e representantes da empresa grega.

Além das negativas feitas pela empresa dona do Bouboulina, o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas nega que o navio seja o responsável pelo vazamento.

O centro de estudos, inclusive, aponta outro navio como responsável pela contaminação da costa brasileira, e dá detalhes sobre essa embarcação – ela teria navegado entre a África do Sul e a costa norte da América do Sul, com o aparelho indicador de sua localização desligado. Os dados serão entregues à Marinha e ao Senado, conforme o Lapis.

Fonte: O Globo 



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