Crivella pode deixar presídio de Benfica a qualquer momento



Prefeito afastado foi preso acusado de chefiar o 'QG da Propina' no Executivo do Município

 

Rio - O prefeito afastado do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), pode deixar o presídio de Benfica, na Zona Norte, a qualquer momento. A defesa de Crivella chegou às 10h desta quarta-feira na cadeia. Em seguida, um oficial de Justiça chegou com a notificação de soltura do político. Na noite desta terça-feira, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Humberto Martins, decidiu colocar o político em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. A nove dias de deixar o cargo, ele foi preso acusado de chefiar o “QG da Propina” na prefeitura do Município

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Ele foi preso em operação do MPRJ e da Polícia Civil, em um desdobramento da investigação do suposto "QG da Propina" na Prefeitura do Rio.

Além do prefeito, foram presos o empresário Rafael Alves, homem forte de Crivella e apontado como operador do esquema, o delegado Fernando Moraes, o ex-tesoureiro de Crivella, Mauro Macedo, e os empresários Adenor Gonçalves e Cristiano Stockler, da área de seguros.

Ao chegar à Cidade da Polícia, Crivella disse que é vítima de uma "perseguição política" e pediu "justiça". "É perseguição política. Lutei contra o pedágio ilegal, injusto. Tirei recurso do carnaval, negociei o VLT. Fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro", disse. Questionado sobre qual sua expectativa agora, o prefeito respondeu que espera justiça.

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Investigação começou com delação premiada de doleiro

A investigação teve como ponto de partida a delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso na Operação Câmbio Desligo, um dos desdobramentos da Lava Jato fluminense, realizada em maio de 2018. Veio dele a expressão QG da Propina para se referir ao esquema, que teria como operador Rafael Alves, homem forte da prefeitura apesar de não ter cargo oficial. Ele é irmão do ex-presidente da Riotur, Marcelo Alves, exonerado do cargo em março de 2020 a pedido dele próprio.

O suposto QG funcionaria assim, de acordo com o delator: empresas interessadas em trabalhar para o Executivo carioca entregavam cheques a Rafael, que faria a ponte com a prefeitura para encaminhar os contratos. O esquema também funcionaria no caso de empresas com as quais o município tinha dívidas - aqui, o operador mediaria o pagamento. As propinas seriam negociadas em uma sala na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, sede da Riotur.

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Investigação de promotores do Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça) aponta que Alves, que não possui cargo na administração municipal, exigia que fosse consultado antes de mudanças de cargos. A influência dele também poderia ser vista em licitações e pagamentos a fornecedores.
 

 



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