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Setembro é mês de Campanha de Prevenção ao Suicídio. Iniciada em 2015, o período para a Campanha foi escolhido porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e os debates sobre o tema alertam a população sobre a importância de sua discussão.
O assunto de fato precisa ser tratado com a devida importância. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgados em junho deste ano, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que de: HIV, malária, câncer de mama, ou guerras e homicídios. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal.
Em 2020 da OMS já alertou que a depressão será considerada uma das doenças mais significativas para a humanidade. Em 2019, os dados apontavam que mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio: uma em cada 100 mortes, o que levou a Organização a produzir novas orientações para ajudar os países a melhorarem a prevenção do suicídio e atendimento.
Em 2018, a estatística mostrava que 322 milhões de pessoas, ou seja 4,4% da população mundial, já sofria de depressão.
Produzi este material em maio de 2019 com base na entrevista concedida pela enfermeira Wilma Pereira, doutora em ciências, desenvolvimento socioambiental, e membra da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio, ao jornalista e advogado Arimar Sá na Rádio Caiari de Porto Velho, mas considero oportuno e salutar deixá-lo registrado aqui com as devidas atualizações, por considerar as informações da especialista de extrema importância.
Na entrevista, Wilma cita que entre os fatores que levam as pessoas a cometerem tal ato de fragilidade de vinculação com a vida, estão casos de perda de pessoas próximas aliada a não superação do luto, e rompimentos de relacionamentos a exemplo de namoros ou casamentos.
O luto de um suicídio é outro fator agravante apontado por ela que pode levar o indivíduo a cometer o mesmo ato, “porque o luto depois do suicídio é diferenciado dos outros, pois geralmente é permeado de ira, culpa, revolta, por se tratar de uma morte anti-natural, violenta”, explana.
Bullying, ansiedade e depressão
O bullying, situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, é outro problema que, conforme a especialista, também é um dos fatores que deve ser tratado com prioridade, especialmente nas Escolas com presença de profissionais de saúde a fim de evitar que a situação se agrave.
A ansiedade, que pode levar a quadros depressivos, e o estresse também foram explanados por ela e citados como fatores ligados a descontroles emocionais que podem levar ao suicídio caso não sejam tratados com a devida atenção.
Aproximadamente um em cada dez adolescentes (13,2%) já se sentiu ameaçado, ofendido e humilhado em redes sociais ou aplicativos. Consideradas apenas as meninas, esse percentual é ainda maior, 16,2%. Entre os meninos é 10,2%. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, divulgada neste mês de setembro de 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sintomas e prevenção
Entre os sinais que podem ser detectados relatados pela doutora e de acordo com a OMS, podem ser vistos atualmente de maneira mais clara através das redes sociais, a exemplo de postagens com notícias de mortes, de pessoas que sofrem, coisas referentes à morte, desejo de desaparecer “de largar tudo”; o isolamento de amigos, entre outros.
Ela esclarece também que o suicídio é um quadro mental, que precisa de intervenção imediata. “A pessoa não está necessariamente fora de si, e sim diferente do que seria normalmente”, explica.
Entre as formas de prevenir, a especialista cita o cultivo de laços afetivos, amizades, hobbies, manter-se ligado a praticas religiosas, terapias, e até mudanças ambientais. “São algumas medidas que podem ajudar à manter-se longe de sentimento de tristeza e sofrimento que podem evitar à tal ato. E terapia, buscar um psicólogo para ajudar a tomar as decisões certas”, orienta.
O ambiente de trabalho é um dos locais que, de acordo com Wilma, também pode trazer situações difíceis. “É importante neste sentido, evitar o estresse da carga de trabalho e relações interpessoais”, menciona.
O suicídio, na visão da profissional, é uma questão de saúde pública gravíssima, que requer atenção multifatorial, pois trata de uma luta pela preservação da vida. “É de fato um problema que é de saúde pública, que perpassa pela segurança, assistência social, e educação porque muitas vezes, o estresse e a depressão passam desapercebidos no ambiente escolar onde pode ser mais visível”, complementa, acrescentando que, apesar de preocupante, o assunto ainda não tem tido a atenção devida do Poder Público.
“As mobilizações ainda são tímidas em direção à preservação da vida”, disse, citando como exemplo da falta de psicólogos nas Unidades de Saúde, “sendo apenas utilizados nos CAPS”.
Divulgação na mídia
A divulgação de vítimas de suicídio em veículos de comunicação é vista pela profissional como um grave desserviço pela doutora.
“Imagens e relatos detalhados são desconselháveis, e pode inclusive levar ao entendimento ilusório de que a morte repercutida pode ser uma forma de punição aos que os que sofrem com o problema, possam ter”, resume.
Jaque Alencar - Graduada em Comunicação Social com bacharelado em Jornalismo; assessora de comunicação, imprensa, e parlamentar. OBS. Ao utilizar os textos, dar créditos à autora.
