A operação que resultou em 16 mortes gerou denúncias por parte dos moradores à Ouvidoria das Polícias
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O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, reiterou nesta quarta-feira sua negação de quaisquer abusos cometidos por parte dos policiais envolvidos em operação em curso na Baixada Santista, litoral sul do estado, que já se estendeu por seis dias. A operação resultou em 16 mortes, gerando diversas denúncias por parte dos moradores à Ouvidoria das Polícias, alegando casos de execução, abuso de autoridade e até tortura.
Durante seu depoimento à CPI do MST na Câmara dos Deputados, Derrite afirmou que as evidências se basearam em “narrativas” e citou os exames realizados pelo Instituto Médico-Legal (IML).
“Essas alegações são meras narrativas. Os exames oficiais pelo IML não apresentaram sinais de violência, muito menos de tortura. Este é um documento oficial. Assim sendo, senhores, pela primeira vez no estado de São Paulo, temos um governador que enfrentou o crime organizado com coragem”, afirmou Derrite.

O discurso de Derrite faz eco ao do governador Tarcísio, que defendeu a atuação dos agentes de segurança paulistas
A declaração de Derrite foi uma resposta a um questionamento feito pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP). Ele mencionou que um policial de 34 anos foi baleado na manhã anterior em Santos, assim como outro agente que fazia parte da equipe responsável pela busca dos agressores. O discurso do secretário Derrite ecoa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que no dia anterior defendeu a atuação dos agentes de segurança paulistas e classificou os confrontos na Baixada Santista como “efeitos colaterais” do combate ao crime.
A Operação Escudo teve início na sexta-feira passada, após o falecimento do soldado Patrick Bastos Reis, membro da unidade de patrulha Rotas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), devido a um ferimento a bala enquanto patrulhava na comunidade Vila Zilda, localizada no Guarujá.
De acordo com as autoridades do estado de São Paulo, até o momento, pelo menos 58 indivíduos foram detidos, incluindo Erickson David da Silva, de 28 anos, considerado o principal suspeito de ter disparado o tiro fatal de uma pistola 9mm que evoluiu na morte do policial da Rota. Além disso, foi realizada a apreensão de 400 quilogramas de substâncias ilícitas e 18 armas.

A Ouvidoria das Polícias de São Paulo comunicou que tem recebido denúncias acerca de excessos cometidos pelas forças de segurança desde o final de semana e que novos relatos continuam a chegar, conforme relatou o chefe do órgão, Claudio Silva. Ao jornal O GLOBO, um familiar de uma das vítimas da operação alegou que seu parente foi morto de maneira injusta enquanto dormia.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) assegura ter ordenado uma investigação detalhada de todos os incidentes pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Santos, em conjunto com a Polícia Militar, por meio de um Inquérito Policial Militar.
Fonte: O GLOBO
