A rota do tráfico de cocaína no Rio Vaupés
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O Rio Vaupés, também conhecido como Uaupés, é um rio sinuoso que tem sua nascente na Colômbia, serpenteia pela Amazônia e deságua no Rio Negro, no Brasil.
A região ao longo do rio abriga 24 diferentes etnias indígenas e também é um território de atuação de traficantes de cocaína, principalmente dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Essa área de fronteira com o Brasil se tornou uma rota lucrativa para o tráfico internacional de drogas.
Uma investigação secreta conduzida pelo governo dos Estados Unidos e pelo Exército da Colômbia revela como grupos criminosos abastecem o Primeiro Comando da Capital (PCC) com grandes quantidades de cocaína por via aérea e fluvial através do Vaupés.
A rota da cocaína
Documentos de inteligência obtidos pela revista piauí e pelo UOL revelam o caminho da cocaína que sai da Colômbia, passa por Manaus, no Brasil, segue para o Caribe e, finalmente, chega às mãos de consumidores na Europa.

A investigação, iniciada em 2020, foi desencadeada por informações fornecidas à Polícia Federal brasileira e ao Exército colombiano pela Drugs Enforcement Administration (DEA), a agência norte-americana de combate ao narcotráfico.
O papel de Calidad
Calidad, também conhecido como Nelson Jaramillo Quiceño, desempenhou um papel crucial na operação. Ele atuava como intermediário entre os dissidentes das Farc e os criminosos do PCC. Sua missão era garantir o transporte das toneladas de cocaína dos colombianos estabelecidos em Guaviare e Vaupés para os criminosos brasileiros em Manaus e São Gabriel da Cachoeira.
As origens de Calidad
Calidad nasceu em San Jose del Guaviare, na Colômbia, e teve ligações com um grupo paramilitar conhecido como “autodefesas de Yarí” que combatia as Farc nos anos 2000. Ele foi investigado por envolvimento em homicídios, mas acabou inocentado por falta de provas. Mais tarde, em 2009, foi preso no Brasil por contrabando de cimento, um item controlado devido ao seu uso na produção de pasta base de cocaína. No entanto, ele foi liberado da prisão através de um habeas corpus.
A rota da cocaína e o PCC
A cocaína era produzida nos departamentos de Meta, Guaviare e Vaupés, e em seguida, transportada por barcos e aviões da Aerovías Regional del Oriente (ARO) até Manaus, onde Calidad negociava a venda da droga com membros do PCC.
A cocaína era, então, enviada para a República Dominicana e Porto Rico, de onde seguia para portos europeus.
A região do Rio Solimões era a principal porta de entrada para a cocaína na Amazônia, dominada pelo Comando Vermelho, o que forçou o PCC a buscar rotas alternativas, como o Rio Negro. Essa rota oferecia algumas vantagens, como menor presença policial, baixa densidade populacional e inúmeras ilhas, tornando o policiamento mais desafiador. No entanto, as autoridades apreenderam grandes quantidades de droga ao longo do Rio Negro nos últimos anos.
Investigação e suspeitas
As autoridades colombianas interceptaram conversas de integrantes do esquema, indicando a movimentação de drogas e combustível entre as duas margens do rio. Também surgiram suspeitas de lavagem de dinheiro, com Calidad, Camilo Esteban Avila Morales e Carlos Enriques Peñagos Celis adquirindo propriedades rurais na região de Mitú em nome de parentes.
Conclusão
A investigação continua, com autoridades colombianas monitorando o envolvimento de Calidad e outros suspeitos no tráfico de drogas. A rota do Rio Vaupés permanece um desafio para as autoridades na luta contra o narcotráfico, com implicações significativas para o Brasil e a Europa.
(canalcienciascriminais)
