Nunca tivemos uma democracia para valer, muito menos uma República que merecesse tal nome. Mas é inegável que a coisa piorou absurdamente nos últimos anos
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“Que vergonha para o nosso país!”, escreveu Donald Trump nas redes sociais. O ex-presidente se referia à decisão da Suprema Corte do Colorado de impedir seu nome de constar nas primárias do Partido Republicano no estado, com base numa leitura bizarra da décima-quarta emenda constitucional.
O processo foi apresentado por um grupo de eleitores do Colorado, assessorado pelo grupo Cidadãos pela Responsabilidade e Ética de Washington, que pediu a inelegibilidade de Trump sob a alegação de que o ex-presidente teria incitado apoiadores a invadirem o Capitólio em janeiro de 2021, durante a sessão conjunta do Congresso norte-americano em que era certificada a vitória de Biden na eleição de 2020. Não pode ser candidato quem participou de alguma insurreição. Ocorre que Trump nem sequer foi acusado de tal crime.
E não faltam “crimes” imputados ao ex-presidente, que acusou novamente o atual presidente, Joe Biden, e o Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) pelos processos contra ele: “Biden deveria retirar todas essas acusações políticas falsas contra mim, tanto as criminais como as cíveis. Os casos que estou enfrentando são trabalho do DOJ e da Casa Branca. Nunca aconteceu algo assim no nosso país antes. República das bananas? Interferência eleitoral!”, afirmou Trump, que acrescentou: “Um dia triste nos Estados Unidos!”.

O ex-presidente norte-americano Donald Trump afirmou que usaria “apenas o primeiro dia” de sua presidência para se aproveitar do cargo, se fosse eleito em 2024, agindo como um “ditador” | Foto: Reprodução/Wikipedia
De fato. Com base na ameaça fantasma que Trump representaria à democracia norte-americana, o “sistema” tem efetivamente enfraquecido a democracia a ponto de tentar impedir o favorito de disputar as eleições. É tapetão, claro, e é coisa de republiqueta mesmo. Os democratas andam apavorados com a baixa popularidade de Biden, cada vez mais senil, incompetente e envolto em escândalos de corrupção ligados ao seu filho problemático, Hunter Biden.
Mas se as coisas deterioram assustadoramente nos Estados Unidos, a ponto de Trump falar em república das bananas, o que poderia ser dito sobre o Brasil? Nunca tivemos uma democracia para valer, muito menos uma República que merecesse tal nome. Mas é inegável que a coisa piorou absurdamente nos últimos anos, com o ativismo partidário do Supremo Tribunal Federal.
“This is how countries fall apart. This is how republics fail…when you use lawfare against your political enemies.”@mrddmia says Dems know they’re toast in 2024.
Pres. Trump is going to beat Biden like a drum. But the Dems are so desperate they need to beat Trump by default. pic.twitter.com/rI1XOxonZE
— Daniel Baldwin (@baldwin_daniel_) December 21, 2023
Não cabe aqui recordar todas as medidas inconstitucionais, partidárias e autoritárias dos ministros supremos, pois isso preencheria um livro inteiro. Mas como esses ministros andam cada vez mais ousados, cientes de que nada mais pode servir de freio e contrapeso ao seu abuso de poder, basta mencionar as últimas decisões. Na margem, fica claro que o trem descarrilou de vez, e o “sistema” passou a agir de forma completamente descarada, sem resquício algum de pudor.
A revista Piauí mostrou, por exemplo, que a compra de energia da Venezuela passou pelos irmãos Batista desde o início. A Âmbar Energia, empresa do grupo J&F, negociava a aquisição para abastecer Roraima antes mesmo de o governo divulgar a retomada da importação. O preço da energia é estimado em dez vezes o de mercado. Como resumiu a organização Transparência Internacional, “negócio sigiloso, sem concorrência, contrariando parecer técnico, preço muito acima do mercado, assinado com uma das ditaduras mais corruptas do mundo”. Ditadura companheira de Lula desde sempre, vale notar. Aquela que ele chama de “democracia relativa”.

Joesley e Wesley Batista, da J&F, conseguiram desconto de mais de 65% no valor da multa que livremente tinham aceitado pagar | Foto: Reprodução
Não custa lembrar também que Joesley Batista, em sua delação premiada na Lava Jato, denunciou um esquema de milhões de dólares para Lula no exterior. Os maiores corruptos do país estão sendo anistiados e voltando à cena do crime, ao lado do chefe petista. E eles nem mesmo se importam com as aparências agora!
Em apenas um ano, a “bolsa artista” do Lula superou os quatro anos de Bolsonaro. Pelo visto, artista que canta musiquinha petista e demoniza Bolsonaro tem preço
O ministro Dias Toffoli, por exemplo, cancelou nesta semana a multa de R$ 10,3 bilhões que foi imposta à J&F dentro do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Greenfield. A liminar foi autorizada pelo magistrado e teve como parte a advogada Roberta Rangel, esposa dele, em um litígio envolvendo uma das empresas do grupo. É puro suco de Brasil, não é mesmo?
Fica até parecendo que Toffoli ainda atua como advogado petista, em parceria com a própria esposa. Mas calma que não parou aí. Toffoli anulou uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que suspendia o pagamento do adicional por tempo de serviço, conhecido como quinquênio, aos juízes. Isso permitirá que os magistrados recebam o benefício, suspenso desde 2006, com possível custo de até R$ 870 milhões.
Na mesma semana, ficamos sabendo que o uso da Lei Rouanet “explodiu” no primeiro ano de governo Lula, chegando a astronômicos R$ 16 bilhões. Em apenas um ano, a “bolsa artista” do Lula superou os quatro anos de Bolsonaro. Pelo visto, artista que canta musiquinha petista e demoniza Bolsonaro, culpando-o até pela Amazônia em chamas (que durante a gestão de Lula passa a ser responsabilidade do “aquecimento global”), tem preço, e não é barato. Haja mortadela para seduzir essa turma!

O ministro Dias Toffoli anulou provas do acordo de leniência | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Essas informações são a pontinha do iceberg. O Brasil caiu novamente nas garras dos piratas que só pensam em participar da divisão do butim, da pilhagem da coisa pública. Tudo em nome da “democracia”, claro. Tudo às claras, em praça pública, com o aval da velha imprensa. São todos cúmplices de um truque barato em que bandidos tomaram o poder e fingem defender a mesma democracia que assassinaram. A situação está ficando esquisita nos Estados Unidos, mas Trump quer mesmo falar de república das bananas? Então precisa admitir que o Brasil, ao menos nisso, é o campeão mundial com folga…
(revistaoeste)
