Após Moraes falar em plano de sequestro e enforcamento, Dallagnol cobra ‘provas’ do plano



Supostas articulações contra o magistrado estão sob investigação.

 

Deltan Dallagnol, ex-procurador da República que chefiou a força-tarefa da Operação Lava Jato, colocou sob suspeita as declarações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), externadas pelo próprio magistrado em entrevista ao jornal O Globo.

Continua após a publicidade.

“Quem planejou matar o ministro e quais são as provas desse plano?”, escreveu em seu microblog pessoal. “Por que não soubemos dessas pessoas até agora?”

Dallagnol questiona, por exemplo, por que o ministro não revelou a identidade dos responsáveis por esses planos. O caso está sob investigação na Polícia Federal e tramita em sigilo. O ex-procurador da República também enfatizou que Moraes estava com a família em Paris no dia 8 de janeiro e que, em tese, os planos seriam executados naquele dia.

Ele ainda sugere que, com a descoberta dos planos, Moraes deveria se declarar suspeito para julgar os processos relacionados aos atos golpistas do dia 8 de janeiro. O ministro é o relator das investigações e ações penais.

Continua após a publicidade.

“Essas novas informações não colocam o ministro sob suspeição para julgar todos os réus do 8 de janeiro, já que segundo entendimento do próprio STF, todos estavam ali em turba com um único objetivo, de dar um golpe?”, questionou.

Eis a íntegra da publicação de Deltan Dallagnol:

O ministro Alexandre de Moraes, em entrevista a O Globo, diz que havia ao menos três planos para prendê-lo e assassiná-lo no 8 de janeiro (apesar de ele estar em Paris nesse dia), mas não revela os nomes de quem teria feito esse plano nem apresenta provas.

Continua após a publicidade.

Diante das revelações do ministro, vale fazer algumas perguntas que, infelizmente, não foram feitas:

 

– Quem planejou matar o ministro e quais são as provas desse plano?

 

– Essas pessoas já foram denunciadas pela PGR e condenadas nos julgamentos do 8 de janeiro? Por que não soubemos dessas pessoas até agora?

– Se o ministro era a vítima desses crimes, ele não deveria se declarar suspeito de julgar quem queria matá-lo?

– Essas novas informações não colocam o ministro sob suspeição para julgar todos os réus do 8 de janeiro, já que segundo entendimento do próprio STF, todos estavam ali em turba com um único objetivo, de dar um golpe?

– Como o ministro responde as críticas de que os réus do 8 de janeiro estão sofrendo abusos judiciais, como violação do juiz natural, ausência de conexão com pessoas com foro privilegiado, prisões preventivas alongadas, ausência de provas e de individualização de condutas e penas exageradas?

– Aliás, até hoje o STF não apresentou uma única pessoa com foro privilegiado que tenha participado dos atos do 8 de janeiro, a fim de justificar a conexão com os demais réus sem foro privilegiado. O ministro saberia dizer quem são as pessoas com foro privilegiado que atraem a competência da corte para julgar os demais réus do 8 de janeiro?

– Por que o ministro não apreciou em tempo o pedido de soltura de Clezão, que tinha parecer favorável da PGR? Como responde as críticas de que a demora para decidir acarretou na morte de Clezão?

– Por que, logo após a morte de Clezão, o ministro soltou vários réus presos do 8 de janeiro que também tinham parecer favorável de soltura da PGR? Isso não é uma prova de que essas pessoas ficaram presas de forma excessiva e ilegal?

– Quando serão encerrados os inquéritos ilegais que tramitam no Supremo há mais de 5 anos? Como o ministro justifica a existência dos inquéritos após o fim dos prazos legais?

– E por fim, dar entrevistas sobre casos em julgamento não gera a suspeição do juiz? Como o ministro responde a essa questão?

(conexão politica)



Noticias da Semana

Veja +