Com juro em queda, resgates do Tesouro Direto aumentam em 2023



Investidores retiraram R$ 28,8 bilhões em títulos do programa, o maior valor desde 2020; vendas dos papéis desaceleram

 

Investidores recompraram (resgataram antes do vencimento) R$ 28,8 bilhões em títulos do programa Tesouro Direto em 2023. Na comparação com 2022, o crescimento da retirada de dinheiro foi de 13,2%.

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Os números são do Ministério da Fazenda e estão disponíveis no Portal de Dados Abertos do governo federal. Os valores foram corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

​​​​​​Os resgates do Tesouro Direto em 2023 somaram o maior montante desde 2020. Leia abaixo como seu deu a movimentação do fundo: 

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O Tesouro Direto é uma iniciativa do Tesouro Nacional em parceria com a B3 para venda de títulos públicos federais a pessoas físicas com rendimento baseado em indicadores, como a inflação e a Selic (taxa básica de juros).

Os resgates se dão quando os clientes querem pegar o dinheiro que investiram antes que o título vença. Na prática, retiram o dinheiro do fundo.

As vendas pela modalidade desaceleraram. Os investidores compraram R$ 46,5 bilhões em títulos do Tesouro em 2023. O crescimento em relação ao ano anterior foi só de 5%. De 2021 para 2022, foi mais de 4 vezes maior (22,8%).

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Nos últimos anos, a maior queda de investimentos na categoria se deu em 2020. Naquele ano, o Banco Central cortou os juros de forma drástica para movimentar a economia durante a pandemia.

 

Os investidores também pisaram no freio em relação aos títulos com rendimentos ligados à Selic. Os papéis cresceram 16,6% em 2023. Apesar de ser um saldo positivo, é menor que a variação anual de 71,4% registrada em 2022. 

Assim como se deu para todo o Tesouro Direto, a maior queda na compra de modalidades atreladas à taxa básica se deu em 2020. 

As vendas de tesouros ligados a outros indicadores se deram de forma variada. Leia abaixo

  • IPCA+ – as vendas somaram R$ 7,3 bilhões –queda 29,5%;

  • IPCA+ com juros semestrais – R$ 2,2 bilhões –recuo de 25,0%;

  • prefixado – R$ 1 bilhão –aumento de 6,4%;

  • prefixado com juros semestrais – R$ 1 bilhão –avanço de 6,4%.

 

Os títulos ligados à inflação diminuíram porque houve recuo no indicador em 2023. Os papéis passaram a valer menos.

Os prefixados tiveram variação positiva porque essa categoria tem uma taxa fixa mensal. Os compradores já conseguem calcular o quanto receberão ao vencimento de cada papel e não precisam se preocupar com oscilações do mercado.

A tendência para os próximos anos é o enfraquecimento do Tesouro Direto. É esperado que a inflação recue e a Selic caia ainda mais ao longo dos meses. 

Os investimentos ligados aos juros continuaram positivos porque o indicador continua a um patamar relativamente alto e os cortes só começaram em agosto, mas a expectativa é que o cenário se inverta em 2024.

É um movimento natural. O Banco Central corta as taxas e os títulos passam a render menos. Os investidores migram para linhas com maior possibilidade de retorno, como a Bolsa de Valores. 

Os recursos do Tesouro são utilizados para contribuir com o pagamento de dívidas públicas. Se o enfraquecimento se confirmar, a arrecadação com a modalidade cairá.

Os resultados também indicam que as pessoas precisaram queimar reservas para pagar as despesas do dia a dia. Removeram o dinheiro para usá-lo no cotidiano.

Além disso, os números demonstram que os cortes na Selic afetam mais o mercado financeiro do que a população. 

Atualmente a Selic está em 11,75% ao ano. Na próxima reunião do comitê deve haver um novo corte de 0,5 ponto percentual.

(Poder360)



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