Transparência Internacional rebate críticas do governo Lula



ONG faz referência à fala de Barroso de que as instituições funcionam “na plena normalidade” e diz que “a grande questão é para quem estão funcionando”

 

Transparência Internacional rebateu nesta 5ª feira (1º.fev.2024) as críticas de integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ranking de corrupção produzido pela ONG. O post faz menção indireta ao discurso do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Roberto Barroso, durante a abertura do Ano Judiciário. O magistrado disse que as instituições funcionam “na mais plena normalidade”.

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O levantamento da ONG mostra que o Brasil perdeu 2 pontos no IPC (Índice de Percepção da Corrupção) de 2023 e caiu 10 posições no ranking global. O país registrou 36 pontos no levantamento e ficou na 104ª posição entre os 180 listados. Foi publicado na 3ª (30.jan.). Eis a íntegra do relatório (PDF – 2 MB).

Em seu perfil no X (ex-Twitter), a Transparência Internacional afirmou que as instituições “estão funcionando como sempre funcionaram”, mas “a grande questão é para quem estão funcionando. Para quem sempre funcionaram”.

“A corrupção não é uma disfunção do Estado brasileiro, ela é perfeitamente funcional para os propósitos a que ele serve: concentrar riquezas e direitos”, escreveu.

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Eis o que publicou a Transparência Internacional: 

GOVERNO LULA CRITICA…

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Na 3ª feira (30.jan), quando foi divulgado o levantamento, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que a Transparência Internacional tem “longa trajetória de desinformação” e que o relatório sobre o governo Lula “passou dos limites”.

O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Paulo Pimentacompartilhou publicação do ministro da CGU (Controladoria Geral da União), Vinicius Carvalho, que coloca em dúvida a metodologia do ranking.

O IPC avalia a percepção de especialistas e empresários sobre a integridade do setor público em 180 países. São atribuídas notas em uma escala de 0 a 100. Quanto maior a nota, melhor é a percepção de integridade. É uma compilação de opiniões. Para um levantamento com algum grau de confiabilidade, seria necessário fazer uma avaliação rigorosa sobre os resultados das investigações sobre corrupção em cada país, e sobre o empenho e a independência de quem investiga. Leia mais sobre a metodologia no final desta reportagem.

Segundo apurou o Poder360, nos bastidores, o entorno de Lula minimizou o peso da divulgação. A ideia no Palácio é que a ONG não tem credibilidade e teria ligação até com o ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e com a operação Lava Jato.

… MAS JÁ ELOGIOU

Apesar das recentes críticas ao ranking de corrupção elaborado pela Transparência Internacional, petistas, o Planalto e a CGU já usaram o mesmo estudo para criticar os governos de Michel Temer (MDB) e, mais recentemente, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Poder360 lista abaixo os comentários positivos de governistas no passado:

Paulo Pimenta, ministro da Secom:

  • 16.jun.2017 – disse que Temer na Presidência é “revés” para combate à corrupção;

 

  • 1º.set.2020 – usou a ONG para criticar transparência de Bolsonaro;

  • 11.out.2022 – afirmou que o Brasil é rebaixado no ranking de corrupção “com Bolsonaro”.

PT nacional:

  • 14.out.2020 – perfil oficial da sigla disse que, com Bolsonaro, a Transparência Internacional vê “progressivo desmanche institucional anticorrupção”.

Erika Kokay (PT-DF), deputada federal:

  • 31.jan.2023 – citou o documento da ONG para dizer que Bolsonaro acabou com o aparato anticorrupção.

Alexandre Padilha, ministro da Secretaria de Relações Institucionais:

  • 29.jan.2019 – divulgou estudo da ONG em que o Brasil caiu 17 posições no ranking de corrupção.

 RANKING DE CORRUPÇÃO

A Dinamarca liderou o ranking de 2023, com 90 pontos. É seguida pela Finlândia (87 pontos) e pela Nova Zelândia (85 pontos). No fim da lista estão a Somália (11 pontos), Venezuela (13 pontos), Síria (13 pontos) e o Sudão do Sul (13 pontos).

Os 36 pontos alcançados no levantamento de 2023 colocam o Brasil abaixo da média global (43 pontos), da média regional para as Américas (43 pontos), da média do Brics tradicional –grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul– (40 pontos) e ainda mais longe da média dos países do G20 (53 pontos) e da OCDE (66 pontos).

Leia a evolução do IPC do Brasil desde 2012:

 

METODOLOGIA

O IPC considera 180 nações e territórios. O cálculo é feito com 13 bases de dados de instituições internacionais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), que avaliam a percepção de corrupção nos 2 anos anteriores ao levantamento.

A escala vai de 0 a 100 –em que zero significa que o país é “altamente corrupto” e 100, “muito íntegro”. As notas são atribuídas a partir de relatórios (o do Banco Mundial, por exemplo) que indicam “percepções do setor privado e de especialistas acerca do nível de corrupção no setor público”. Valores abaixo de 50 indicam “níveis graves de corrupção”.

A percepção de corrupção aumenta ou diminui, por exemplo, se a imprensa é livre e publica tudo o que vê a respeito de malfeitos no país. Mas isso impede que países muito subdesenvolvidos fiquem no ranking com uma posição melhor do que o Brasil.

A ONG internacional não tem relação com a organização Transparência Brasil.

(Poder360)



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