Desfilam Mocidade, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Tuiuti e Viradouro. Cajus, Alcione e o Almirante Negro são alguns dos destaques.
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Seis escolas de samba encerram, nesta segunda-feira (12), o Grupo Especial do Rio de Janeiro. A partir das 22h, a Sapucaí será palco de homenagens a Alcione, ao marinheiro João Cândido e até ao caju.
Esta 2ª noite tem Mocidade Independente de Padre Miguel, Portela, Unidos de Vila Isabel, Estação Primeira de Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Unidos do Viradouro. Cada agremiação terá entre 1 hora e 1 hora e 10 minutos para desfilar.

Na 1ª noite, saíram Unidos do Porto da Pedra, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos da Tijuca e a atual campeã, Imperatriz Leopoldinense.

Confira detalhes do enredo de cada escola e veja o que esperar de cada desfile!
Mocidade
Pede caju que dou... Pé de caju que dá!
Que enredo é esse?

A Verde e Branca celebra o caju, um fruto nativo, como símbolo da cultura e da identidade brasileira.
O desfile explora a história e a importância do caju, desde seu uso nas tradições populares até sua representação como ícone da tropicalidade brasileira.
A escola homenageia também figuras importantes da cultura nacional, como Torquato Neto, e faz referências ao Movimento Tropicalista, utilizando a guitarra em forma de caju como um dos destaques.
O enredo se desdobra em uma celebração vibrante das cores, sabores e ritmos do Brasil, com ênfase na alegria e na diversidade cultural do país.
Carnavalesco: Marcus Ferreira.
Quem vem?
Mayara Nascimento, Fernanda Passon, Fabíola Andrade (rainha), Jojo Todynho, Tom Do Cajueiro, Marcelo Adnet, Dill Costa, Luana Fernandes e Aline Mineiro
Como virá a escola?
Estrutura: 3,2 mil componentes em 25 alas, 5 carros e 3 tripés. 1º casal: Diogo de Jesus e Bruna Santos. Bateria: Mestre Dudu.
Qual é o samba?

Compositores: Cabeça do Ajax, Lico Monteiro, Gigi Da Estiva, Orlando Ambrosio, Richard Valença, Marcelo Adnet, Paulinho Mocidade, Diego Nicolau, Cláudio Russo.
Intérprete: Zé Paulo Sierra.
Eu quero um lote saboroso e carnudo
Desses que tem conteúdo, o pecado é devorar
É que esse mote beira antropofagia
Desce a glote, poesia
Pede caju que dá
Delícia nativa
Onde eu possa pôr os dentes
Que não fique pra semente
Nem um tasco de mordida
Aí Tupi, no interior do cafundó
Um quiprocó virou guerra assumida
Provou porã, provou fruta no pé
Se lambuzou, Tamandaré
O mel escorre, olho claro se assanha
Se a polpa é desse jeito, imagine a castanha
Por outras praias a nobreza aprovou
Se espalhou tão fácil, fácil
E nessa terra, onde tamanho é documento
Vou erguer um monumento para Seu Luiz Inácio
Nessa batalha teve aperreio
Duas flechas e, no meio, uma tal cunhã-poranga
Tarsila pinta a sanha modernista
Tira a tradição da pista
Vai, Debret, chupa essa manga
É Tropicália, tropicana, cajuína
Pela intacta retina, a estrela no olhar
Carne macia com sabor Independente
A batida mais quente, deixa o povo provar
Meu caju, meu cajueiro
Pede um cheiro que eu dou
O puro suco do fruto do meu amor
É sensual esse delírio febril
A Mocidade é a cara do Brasil
Portela
Um defeito de cor
Que enredo é esse?

A Portela aborda a importância do afeto e da ancestralidade feminina. A história central é de uma mãe negra, uma figura que representa muitas outras ao longo do tempo. Luiz Gama, líder abolicionista, jornalista, poeta e advogado, é quem conta essa história.
O enredo é inspirado no romance “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves, que se baseia na carta de Kehinde (Luiza Mahin). Ele retrata a vida dessa personagem e sugere uma nova carta, escrita por seu filho, Luiz Gama. Separado da mãe desde a infância, ele expressa orgulho por sua trajetória e destaca momentos em que o afeto foi crucial.
A história representa as experiências de muitas gerações de escravizados e mulheres negras que enfrentam preconceitos até hoje.
Carnavalescos: Antônio Gonzaga e André Rodrigues.
Quem vem?
Tia Surica, Duda Ferreira, Helena Ferreira, Ana Maria Gonçalves, Geórgia Chagas, Wenny Isa, Nilce Fran, Bianca Monteiro (rainha), Alice Alves, Shayene Cesário, Vilma Nascimento e Sheron Menezzes.
Como virá a escola?
Estrutura: 2,8 mil componentes em 24 alas, 5 carros e 3 tripés. 1º casal: Marlon Lamar e Squel Jorgea. Bateria: Mestre Nilo Sérgio.
Qual é o samba?

Compositores: Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Wanderley Monteiro, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Bira, André Do Posto 7
Intérprete: Gilsinho.
O samba genuinamente preto
Fina flor, jardim do gueto
Que exala o nosso afeto
Me embala, ô Mãe, no colo da saudade
Pra fazer da identidade nosso livro aberto
Omoduntê, vim do ventre do amor
Omoduntê, pois assim me batizou
Alma de Jeje e a justiça de Xangô
O teu exemplo me faz vencedor
Sagrado feminino, ensinamento
Feito águia corta o tempo
Te encontro ao ver o mar
Inspiração à flor da pele preta
Tua voz, tinta e caneta
No azul que reina Iemanjá
Salve a Lua de Benim
Viva o povo de Benguela
Essa luz que brilha em mim
E habita a Portela
Tal a história de Mahin
Liberdade se rebela
Nasci quilombo e cresci favela
Ora yê yê, Oxum, Kalunga
É mão que acolhe outra mão, macumba
Teu rosto vestindo o adê
No meu alguidar tem dendê
O sangue que corre na veia é malê
Em cada prece, em cada sonho, nega
Eu te sinto, nega
Seja onde for
Em cada canto, em cada sonho, nego
Eu te cuido, nego
Cá de onde estou
Saravá, Kehinde
Teu nome vive
Teu povo é livre
Teu filho venceu, mulher
Em cada um de nós
Derrame seu axé
Vila Isabel
Gbalá — viagem ao Templo da Criação
Que enredo é esse?
A Vila Isabel traz para a Avenida a reedição de “Gbalá! Uma viagem ao Templo da Criação”. Criada em 1993 por Oswaldo Jardim, a obra ganha uma leitura contemporânea assinada por Paulo Barros.
“Gbalá!” É uma obra que narra as histórias yorubá desde a criação da Terra. Mais de 30 anos após sua criação, a escola atualiza a mensagem do enredo de 1993, mostrando o mal que o ser humano pode fazer à Terra, até sua salvação através das crianças, que são o símbolo mundial de esperança.
A escola quer lembrar da responsabilidade que temos com o nosso planeta e as gerações futuras.
Carnavalesco: Paulo Barros.
Quem vem?
Paula Bergamin, Sabrina Sato (rainha), Gabi Martins, Dandara Oliveira, Natacha Horana e Martinho da Vila.
Como virá a escola?
Estrutura: 2,7 mil componentes em 28 alas, 6 carros e 2 tripés. 1º casal: Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas. Bateria: Mestre Macaco Branco.
Qual é o samba?
Compositor: Martinho da Vila.
Intérprete: Tinga.
Meu Deus
O grande Criador adoeceu
Porque
A sua geração já se perdeu
Quando acaba a criação, desaparece o Criador
Pra salvar a geração, só esperança e muito amor
Então
Foram abertos os caminhos
E a inocência entrou no templo da criação
Lá os guias protetores do planeta
Colocaram o futuro em suas mãos
E através dos orixás se encontraram
Com o deus dos deuses, Olorum, e viram
Viram como foi criado o mundo
Se encantaram com a Mãe Natureza
Descobrindo o próprio corpo, compreenderam
Que a função do homem é evoluir
Conheceram os valores do trabalho e do amor
E a importância da justiça
Sete águas revelaram em sete cores
Que a beleza é a missão de todo artista
Gbalá é resgatar, salvar
E a criança, esperança de Oxalá
Gbalá, resgatar, salvar
A criança é esperança de Oxalá, vamos sonhar
Mangueira
A negra voz do amanhã
Que enredo é esse?

Em 2024, a cantora Alcione completa 50 anos de carreira. Na condição de artista e mulher negra, ela enfrentou desafios como o machismo e o racismo. A artista tornou-se um ícone feminino brasileiro e se dedica à defesa da pluralidade religiosa e do respeito.
A Mangueira traz as crenças familiares de Alcione, sua ligação com as manifestações culturais do Maranhão e a luta para realizar o sonho de ser cantora no Rio de Janeiro.
O enredo destaca o papel da artista na formação de novos talentos. O desfile utiliza canções de Alcione como inspiração e homenageia uma das grandes estrelas da Música Popular Brasileira.
E deixa a mensagem: “Aqui o samba não morrerá jamais”.
Carnavalescos: Annik Salmon e Guilherme Estevão.
Quem vem?
Evelyn Bastos (rainha), Juliana Diniz, Thaynara OG, Erica Mantonvani, Ingrid Mantovani e Luciana Faustin.
Como virá a escola?
Estrutura: 3,5 mil componentes em 26 alas, 5 carros e 2 tripés. 1º casal: Matheus Olivério E Cintya Santos. Bateria: Mestre Taranta Neto e Mestre Rodrigo Explosão.
Qual é o samba?

Compositores: Lequinho, Junior Fionda, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim.
Intérpretes: Marquinhos Art’ Samba e Dowglas Diniz.
Xangô chama Iansã
Que a voz do amanhã já bradou no Maranhão
Tambor de Mina, encantados a girar
O Divino no altar, a filha de toda fé
Sob as bênçãos de Maria, batizada Nazareth
Quis o destino, quando o tempo foi maestro
Soprar a vida aos pés do velho cajueiro
Guardar no peito a saudade de mainha
Do reisado à ladainha, São Luís o seu terreiro
Ê, bumba meu boi, ê, boi de tradição
Tem que respeitar Maracanã
Que faz tremer o chão
Toca tambor de crioula, firma no batuquejê
Ô pequena feita pra vencer
Vem brilhar no Rio Antigo, mostra seu poder de fato
Fina flor que não se cheira, não aceita desacato
Vai provar que o samba é primo do jazz
Falar de amor como ninguém faz
Nas horas incertas, curar dissabores
Feito uma loba, impor seus valores
E seja o pilar da esperança
Das rosas que nascem no morro da gente
Sambando, tocando e cantando
Se encontram passado, futuro e presente
Mangueira
De Neuma e Zica
Dos versos de Hélio que honraram meu nome
Levo a arte como dom
Um Brasil em tom marrom que herdei de Alcione
Ela é Ọ̀dàrà, deusa da canção
Negra voz, orgulho da nação
Meu palácio tem rainha e não é uma qualquer
Arreda, homem, que aí vem mulher
Verde e rosa dinastia pra honrar meus ancestrais
Aqui o samba não morrerá jamais
Tuiuti
Glória ao Almirante Negro!
Que enredo é esse?

Esta é a história de João Cândido Felisberto. Para contá-la, vamos para 1910. Seus pais, João Cândido Velho e Inácia Cândido Velho, representam a geração que viveu a escravidão, enquanto João Cândido nasceu sob a “sombra da liberdade”.
Tuiuti apresenta João Cândido desde a infância, sua ascensão como marinheiro de primeira classe na Marinha e a traição que sofreu.
A insatisfação dos marinheiros com as condições de trabalho, maus-tratos e pagamento vergonhoso — que culminou numa revolta depois da ordem de aplicar chibatadas a um marinheiro acusado de levar cachaça para o navio — será retratada na Avenida.
João Cândido lidera a Revolta da Chibata, que alcança sucesso, com o governo cedendo às demandas por melhores condições de tratamento e trabalho, e, claro, o fim da chibata. No entanto, o presidente não cumpre o acordo e responde com prisões e exílios.
João Cândido foi considerado louco, julgado e absolvido. Foi desligado da Marinha e terminou seus dias como pescador.
A Tuiuti diz que enquanto houver defensores de ditaduras, a “chibata” persistirá em nossa sociedade. Este é um tributo a João Cândido e destaca a luta contra a injustiça.
Carnavalesco: Jack Vasconcelos.
Quem vem?
Mayara Lima (rainha) e Mari Mola.
Como virá a escola?
Estrutura: 2,4 mil componentes em 29 alas, 5 carros, 2 tripés e 1 elemento cenográfico. 1º casal: Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane. Bateria: Mestre Marcão.
Qual é o samba?

Compositores: Valdir W. Correa, Pier Ubertini, Moacyr Luz, Julio Alves, Gustavo Clarão, Alessandro Falcão, Cláudio Russo.
Intérprete: Pixulé.
Nas águas da Guanabara
Ainda o azul de araras
Nascia um herói libertador
O mar, com as ondas de prata
Escondia no escuro a chibata
Desde o tempo do cruel contratador
Eram navios de guerra, sem paz
As costas marcadas por tantas marés
O vento soprou à negrura
Castigo e tortura no porão e no convés
Ô, a casa grande não sustenta temporais
Ô, veio dos Pampas pra salvar Minas Gerais
Lerê, lerê, mais um preto lutando pelo irmão
Lerê, lerê, e dizer: Nunca mais escravidão
Meu nego
A esquadra foi rendida
E toda gente comovida
Vem ao porto em saudação
Ah, nego
A anistia fez o flerte
Mas o Palácio do Catete
Preferiu a traição
O luto dos tumbeiros, a dor de antigas naus
Um novo cativeiro, mais uma pá de cal
Glória aos humildes pescadores
Iemanjá com suas flores
E o cais da luta ancestral
Salve o Almirante Negro
Que faz de um samba-enredo
Imortal
Liberdade no coração
O dragão de João e Aldir
A cidade em louvação
Desce o Morro do Tuiuti
Viradouro
Arroboboi, Dangbé!
Que enredo é esse?
O enredo da Viradouro se baseia nas crenças voduns dos povos africanos que viviam na Costa da Mina, região onde atualmente está Gana, Togo, Benim e Nigéria. Vodum era o nome usado para representar as divindades ou forças invisíveis do mundo espiritual.
Na tradição original, as mulheres são escolhidas e iniciadas em ritos de louvor à serpente sagrada conhecida como Dangbé — a cobra que engole a própria cauda para dar equilíbrio. Segundo estes orixás, nada começa nem termina, tudo avança, tudo retorna.
Estas mulheres formavam uma poderosa irmandade de guerreiras voduns, com inteligência, fé, armas implacáveis e espiritualmente invencíveis.
Ludovina Pessoa era uma das guerreiras. Ela atravessou o oceano com o baú de memórias e chegou ao Brasil trazendo a formação do candomblé na Bahia, mais precisamente no Terreiro Hundé, no Recôncavo Baiano.
No coração de Salvador, ela ergueu o Terreiro de Bogum. Esta palavra também era usada para falar do baú onde se guardavam as doações para financiar o povo negro contra a escravidão e em busca de liberdade.
Carnavalesco: Tarcísio Zanon.
Quem vem?
Luana Bandeira, Egili Oliveira, Erika Januza (rainha), Lore Improta e Thays Busson.
Como virá a escola?
Estrutura: 3 mil componentes em 23 alas, 6 carros e 2 tripés. 1º casal: Julinho Nascimento e Rute Alves. Bateria: Mestre Ciça.
Qual é o samba?
Compositores: Claudio Mattos, Cláudio Russo, Julio Alves, Thiago Meiners, Manolo, Anderson Lemos, Vinicius Xavier, Celino Dias, Bertolo e Marco Moreno.
Intérprete: Wander Pires.
Eis o poder que rasteja na Terra
Luz pra vencer essa guerra
A força do Vodum
Rastro que abençoa, agoyê
Reza pra renascer
Toque de adahum
Lealdade em brasa rubra
Fogo em forma de mulher
Um levante à liberdade, divindade em Daomé
Já sangrou um oceano
Pro seu rito incorporar
Num Brasil mais africano, outra areia, mesmo mar
Ergue a casa de Bogum, atabaque na Bahia
Ya é Gu Rainha, herdeira do candomblé
Centenário fundamento da Costa da Mina
Semente de uma legião de fé
Vive em mim
A irmandade que venceu a dor
A força herdei de Hundé e, da luta, Mino
Vai serpenteando feito rio ao mar
Arco-íris que no céu vai clarear
Ayî
Que seu veneno seja meu poder
Bessen que corta o amanhecer
Sagrado Gumê-Kujô
Vodunsis o respeitam
Clamam: Kolofé
E os tambores revelam seu afé
Ê, alafiou, ê alafiá
É o ninho da serpente, jamais tente afrontar
Ê, alafiou, ê alafiá
É o ninho da serpente preparado pra lutar
Arroboboi, meu pai
Arroboboi, Dangbé
Destila seu axé na alma e no couro
Derrama nesse chão a sua proteção
Pra vitória da Viradouro
(g1)
