Assassinatos de indígenas aumentam 15% em 2023, diz relatório



Segundo o Conselho Indigenista Missionário, governo Lula ficou “muito aquém do prometido”; cita “omissão” e “negligência” do Congresso

 

O número de indígenas assassinados no Brasil em 2023 foi de 208, um aumento de 15% em relação a 2022. Os dados são do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), em relatório divulgado nesta 2ª feira (22.jul.2024). Eis a íntegra do documento (PDF – 12 MB).

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Os casos de “violência contra a pessoa” (abusos de poder, ameaças, assassinatos e tentativas, homicídios culposos, lesões corporais, racismo e violência sexual) em 2023 foram de 404. Em 2022, houve 416 registros. Apesar da baixa, segundo o conselho, os números não refletem as promessas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).​​​​​​​

“Nesse complexo cenário, o novo/velho governo Lula ficou, em seu 1º ano de estrada, muito aquém do esperado; ou melhor, muito aquém do prometido. Mais uma vez, o governo proposto por Lula se apresentou como um espaço de frente ampla, de composição, integrando dentro de si interesses opostos”, disse.

ESTADOS MAIS VIOLENTOS

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De acordo com dados do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), juntamente com informações da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), os Estados brasileiros com maior mortalidade se mantiveram em relação a 2022. Eis abaixo os números: 

  • Roraima: 47 assassinatos;

  • Mato Grosso do Sul: 43 assassinatos;

  • Amazonas: 36 assassinatos;

  • Rio Grande do Sul: 16 assassinatos; e

  • Maranhão: 10 assassinatos. 

O relatório do Cimi também indica uma queda na taxa de violência patrimonial de 4,3%. Destaca-se uma redução nas invasões possessórias e exploração ilegal de recursos naturais. A queda foi de 309 casos registrados para 276 em 2023.

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Outro aumento notável foi o de suicídio de indígenas, com 180 casos registrados no ano passado. O percentual subiu 56% em relação ao período anterior, com destaque para o crescimento de casos envolvendo jovens de até 19 anos (51%).

CRÍTICAS AO GOVERNO E AO CONGRESSO

Segundo o Cimi, há 2 momentos distintos vivenciados pelos povos indígenas no período de governo Lula. 

“O 1º, o da esperança e euforia pelo novo governo que anunciava compromisso e respeito aos seus direitos; e o 2º, o da frustração diante de uma realidade praticamente inalterada, quando se percebeu que as maquinações políticas prevaleceram”, disseram os coordenadores do relatório, Lucia Helena Rangel e Roberto Antonio Liebgott.

No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) definiu a tese do marco temporal como inconstitucional, entretanto, o Senado Federal aprovou a lei 5 dias depois da decisão do Supremo.

A insatisfação dos representantes indígenas se agravou, uma vez que a lei do marco temporal (14.701 de 2023) determina que só as terras que eram ocupadas até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, podem ser reivindicadas.

“Não podemos tolerar as injustiças. São inaceitáveis a omissão e a negligência. São igualmente injustificados o silêncio e a naturalização da violência contra os primeiros habitantes destas terras”, disse a Cimi sobre a decisão do Congresso.

Lula vetou o projeto, entretanto, o Congresso decidiu por revogar a decisão.

(Poder360)



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